O secretário-geral do PS advertiu este domingo o primeiro-ministro que “pessoas não são linhas vermelhas”, insistindo que a oposição do PS à alteração à lei laboral proposta pelo Governo é defender jovens, mulheres e trabalhadores. “Que fique claro para o senhor primeiro-ministro: as pessoas não são linhas vermelhas. Quando nós dizemos que o Orçamento do Estado (OE) não pode dar respaldo a alterações das leis laborais que põem em causa os mais jovens, que ofendem as mulheres, que ofendem os trabalhadores mais vulneráveis, isto não são linhas vermelhas, isto é defender a vida das pessoas”, afirmou José Luís Carneiro. O líder socialista foi questionado pelos jornalistas, em Ribeira de Pena, onde esteve na apresentação da recandidatura do presidente da Câmara, João Noronha, sobre as declarações de Luís Montenegro que antecipou que a discussão do próximo OE vai ser “relativamente simples”, mas avisou a oposição que o Governo não negociará com base em ultimatos ou linhas vermelhas. Já durante a semana, durante a viagem que fez pela Estrada Nacional 2 (EN2), José Luís Carneiro, afirmou que o PS se irá opor a opções que sejam inscritas no próximo Orçamento que traduzam as alterações à legislação laboral que o Governo pretende aprovar. “As leis laborais têm dimensões que ofendem gravemente os mais jovens, ofendem gravemente as mulheres trabalhadoras, ofendem a família, e ofendem os trabalhadores mais vulneráveis”, insistiu hoje o secretário-geral do PS. José Luís Carneiro disse, no entanto, que é preciso aguardar pela proposta do OE. “Porque, como já dissemos muitas vezes, nós somos a favor da estabilidade política, mas é preciso que a estabilidade assente em pressupostos de justiça social, de dignidade das pessoas e de salvaguarda dos valores”, frisou. IL pede esclarecimentos ao Governo sobre proposta para 133 mil habitações A presidente da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, pediu, em Porto de Mós, esclarecimentos ao Governo sobre a proposta de financiamento para 133 mil habitações, questionando para quem se destinam e em que condições. Antes da apresentação da candidatura de Marcos Ramos à Câmara de Porto de Mós, no distrito de Leiria, Mariana Leitão disse aos jornalistas que gostaria que o primeiro-ministro, Luís Montenegro esclarecesse, “quando fala em 133 mil casas, estão incluídas as 60 mil do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) ou é para acrescentar a essas 133 mil casas?”. Mariana Leitão questionou ainda a origem do investimento. “Numas contas rápidas percebe-se que 1,3 mil milhões vão ser do Banco Europeu de Investimento, e o resto através do Banco de Fomento. Mas estamos a falar de dívida contraída pelos municípios, estamos a falar de dívida do Estado Central? Quem é que vai ficar responsável por essa verba e estamos a falar de quanto em concreto”, perguntou a líder da IL. A presidente da IL constatou que a proposta de Luís Montenegro deixa ainda outras dúvidas: “para quem é que vão ser estas casas e para que efeito? São para arrendamento? São para venda a custos controlados? É para a classe média, é como se fossem apoios sociais para as pessoas, de facto, que não conseguem ter uma habitação digna”, voltou a perguntar. Para Mariana Leitão, “uma das grandes prioridades do Governo” deveria ser a “dinamização do mercado”, “desde logo do lado da construção, criando condições, baixando impostos, desburocratizando e acelerando licenciamentos” E do lado do arrendamento, “liberalizando o mercado de arrendamento para que isso crie também a confiança nos senhorios em porem as suas casas no mercado, através do descongelamento de rendas, que é um tema que se alastra há décadas e décadas e que é urgente também resolver”. O presidente do PSD e primeiro-ministro anunciou mais investimento para habitação acessível. Como primeira medida, anunciou que na próxima quinta-feira vai ser assinada com o Banco Europeu de Investimento uma linha de crédito de mais 1.300 milhões de euros para o domínio da habitação acessível. Confrontada com a posição de Luís Montenegro, que não negociará com base em ultimatos ou linhas vermelha o Orçamento do Estado, Mariana Leitão adiantou que pretende esperar para “ver qual é o nível de ambição que o Governo vai ter, nomeadamente quanto à descida de impostos, que é fundamental para aliviar as famílias e as empresas, mas também ao nível da reforma do Estado”, que “é essencial e tem de ser feita”. A líder da IL defende um Estado mais ágil, mais eficiente e que não represente a despesa que representa, sem que isso tenha o devido retorno para as pessoas”.

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