advertisemen tA oposição cabo-verdiana criticou, esta quinta-feira (28), a decisão do Governo de investir quase 1,4 milhões de euros na construção do Monumento Nacional Liberdade e Democracia, considerando que o “momento não é adequado”. Os partidos de oposição, nomeadamente o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) e a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), questionaram o elevado custo da obra e defenderam que a prioridade do Governo deveria ser outra, dada a situação económica e social actual do país. O secretário-geral do PAICV, Vladimir Silves Ferreira, foi directo ao afirmar: “Aqui a questão que se coloca são os valores envolvidos e o momento em que se escolhe para fazer este investimento, mas isto é próprio de um Governo que está perdido em fim de mandato.” O responsável criticou ainda o elevado custo do projecto, sublinhando que o investimento não é justificado dadas as circunstâncias do país. Vladimir Silves Ferreira acrescentou: “Ninguém de bom senso veria com bons olhos investir na construção de um monumento daquela dimensão, com custos tão elevados, nesta altura”, afirmou, destacando a falta de sensatez na escolha do momento para um projecto deste porte. O presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), João Santos Luís, partilhou uma opinião semelhante, questionando o valor do investimento, lembrando o “cenário de recursos limitados, em que as famílias enfrentam diariamente dificuldades de acesso aos serviços essenciais.” João Santos Luís acrescentou que, embora reconheça o valor simbólico do projecto, considera que o momento é “inadequado. Os monumentos podem esperar perfeitamente, a dignidade das pessoas é que não”, afirmou, apelando ao Governo para que reconsidere a medida. Para o líder da UCID, os recursos financeiros poderiam ser mais bem direccionados para atender às crescentes necessidades sociais e económicas da população. O Governo anunciou que o Monumento Nacional Liberdade e Democracia estará concluído dentro de seis meses. Os preparativos para o início das obras já começaram, mas geraram várias críticas nas redes sociais, com pedidos para a suspensão do projecto. Muitos cidadãos sugeriram que os recursos fossem canalizados para a recuperação das ilhas afectadas pela tempestade de 11 de Agosto, que causou nove mortes e destruiu infra-estruturas essenciais, como estradas e pontes. Em resposta às críticas, o deputado do Movimento para a Democracia (MpD, partido no poder), Abraão Vicente, defendeu a continuidade do projecto, argumentando que, em tempos de crise, não se deve suspender “projectos estruturais, símbolos nacionais e referências colectivas.” O responsável também sublinhou que a pobreza e a falta de habitação não se resolvem com o cancelamento de monumentos ou obras de arte. Fonte: Lusa

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