O Governo reconheceu a conectividade aérea como um dos principais desafios estratégicos ao desenvolvimento do turismo nacional. A afirmação foi feita esta quarta-feira (27) pelo ministro da Economia e Finanças, Basílio Muhate, durante a sessão temática do Fórum Regional de Comércio e Investimento, no âmbito da FACIM 2025, que decorre em Maputo. Na sua intervenção, o ministro saudou os participantes e sublinhou a importância da FACIM como plataforma de diálogo entre os vários sectores económicos, com destaque para o turismo, sector que considera ser uma centralidade económica para os países africanos. Segundo Muhate, o turismo tem efeitos positivos sobre o investimento, infra-estruturas, internacionalização e balança comercial. Citando dados da Organização Mundial do Turismo, o governante referiu que, em 2024, o sector registou 1,4 mil milhões de chegadas de turistas internacionais, um crescimento de 11% face ao ano anterior e uma recuperação de 98% dos níveis pré-pandemia. O continente africano, acrescentou, está a acelerar a sua transformação económica, sendo parte do maior mercado mundial de comércio livre. No caso de Moçambique, o País registou cerca de um milhão de turistas internacionais em 2024, uma ligeira redução de 4,8% em relação aos 1,1 milhão de 2023. Ainda assim, o ministro realçou que estes números reflectem uma trajectória de recuperação estável, apesar dos efeitos adversos da pandemia e de desastres naturais. Para Muhate, o turismo é uma das maiores influências sobre o destino económico de Moçambique. “Tem sido tratado como uma das áreas prioritárias na acção governativa, no âmbito da transformação estrutural da economia e desenvolvimento sustentável”, afirmou. O ministro defendeu que o crescimento económico passa necessariamente pelo desenvolvimento do sector do turismo. No entanto, um dos maiores entraves à expansão do sector é a fraca conectividade aérea. Muhate apontou a baixa frequência de voos, a falta de fiabilidade dos serviços, a limitada diversidade de destinos e os custos elevados das tarifas aéreas e aeroportuárias como factores que dificultam o acesso turístico. Conectividade aérea é prioridade estratégica no plano de recuperação turística, afirma Muhate “É nossa convicção que a melhoria da conectividade aérea se assuma como um imperativo. Pode contribuir para melhorar o ambiente de negócios, encorajar o investimento, acelerar o desenvolvimento de infra-estruturas, estimular a inovação e melhorar a eficiência da gestão do sector”, sublinhou. O ministro destacou ainda as reformas em curso, incluindo a simplificação de licenças, o alargamento do período de estadia para empresários (de 30 para 60 dias), a introdução de vistos eletrónicos e a isenção de vistos para cidadãos de 29 países. Mencionou ainda a criação de uma plataforma digital integrada para promoção e gestão de destinos turísticos, visando facilitar a comunicação e a comercialização de produtos do sector. Por fim, Muhate enalteceu o potencial natural e cultural do País, lembrando que mais de 26% do território moçambicano é composto por áreas protegidas — entre parques nacionais, reservas e zonas de abrigo —, com uma diversidade étnica e paisagística únicas, tendo convidado os países presentes a enfrentarem o desafio de reforçar as infra-estruturas de suporte ao turismo, como transportes, estradas e conectividade internacional, reiterando que Moçambique continua aberto ao investimento e cooperação regional. Sobre o evento A FACIM 2025 decorre de 25 a 31 de Agosto no Centro Internacional de Feiras e Exposições de Ricatla, no distrito de Marracuene, e afirma-se como a principal montra multissectorial de Moçambique e um dos maiores palcos de negócios da África Austral. Com a participação de mais de 3050 expositores de 26 países e a expectativa de atrair cerca de 65 000 visitantes, o certame constitui uma plataforma estratégica para a promoção da produção nacional, atracção de investimento e estabelecimento de parcerias comerciais. Nesta edição, a província de Gaza foi designada “Província de Honra”, destacando-se pelo seu potencial nos sectores agrícola e pesqueiro, enquanto a África do Sul assume o estatuto de “País de Honra”, em reconhecimento do seu papel nas trocas comerciais com Moçambique. Sob o lema “Promovendo a Diversificação Económica rumo ao Desenvolvimento Sustentável e Competitivo de Moçambique”, o evento integra pavilhões temáticos, fóruns empresariais, seminários especializados e actividades culturais, com o objectivo de fortalecer a integração económica do País nos mercados regionais e globais. Fonte: Felisberto Ruco
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