Durante o terceiro dia da FACIM 2025, o presidente do conselho de administração da Administração Nacional de Estradas (ANE), Paulo Fumane, anunciou a possibilidade de reavaliar a viabilidade da antiga ligação rodoviária entre o distrito da Moamba, na província de Maputo, e Espungabera, em Manica. O projecto, inicialmente estudado em 2015, foi considerado financeiramente inviável na altura, mas poderá ser revisto à luz das actuais condições económicas e de mobilidade. “Passados dez anos, podemos eventualmente rever esses estudos para determinar se ainda poderá constituir uma alternativa à Estrada Nacional Número Um (N1) entre Moamba e Espungabera”, referiu Fumane, no âmbito do painel dedicado ao Corredor de Desenvolvimento África do Sul-Moçambique, que abordou temas como infra-estruturas, logística e integração regional. O dirigente frisou que Moçambique tem potencial estratégico enquanto plataforma logística regional, beneficiando da sua localização geográfica privilegiada, com acesso ao mar e ligação aos países do interior da África Austral. A rede rodoviária nacional está estruturada em dois grandes eixos: a ligação Norte-Sul, com a N1, e os corredores Leste-Oeste, que ligam o interior ao litoral e às principais infra-estruturas portuárias. PCA da ANE apresentou oportunidades nos corredores rodoviários Entre os corredores rodoviários destacados, Fumane mencionou os eixos de Maputo-Ressano Garcia, Matola-Namaacha, Maputo-Goba, Chicualacuala-Macia (corredor de Limpopo) e Lichinga-Montepuez, entre outros. Destacou ainda três concessões em vigor no País, com enfoque na concessão com a empresa sul-africana Trans African Concessions (TRAC), que liga Maputo à fronteira com a África do Sul, com impacto directo no escoamento de mercadorias e mobilidade regional. O responsável referiu que o corredor Maputo-Katembe-Ponta do Ouro constitui uma infra-estrutura estratégica, promovendo a ligação com as regiões sul-africanas de Gauteng e Porto Elizabeth, com impacto positivo na redução dos custos logísticos. Sublinhou ainda a importância de modernizar os postos fronteiriços de Ressano Garcia e Ponta do Ouro, actualmente pressionados pelo aumento do tráfego. Sobre os desafios futuros, destacou a necessidade de garantir financiamento adequado para o sector rodoviário, especialmente num contexto de mudanças climáticas que exigem novas abordagens à construção de infra-estruturas, reforçando que o envolvimento do sector privado será fundamental para manter e expandir as ligações estratégicas do País. Sobre o evento A FACIM 2025 decorre de 25 a 31 de Agosto no Centro Internacional de Feiras e Exposições de Ricatla, no distrito de Marracuene, e afirma-se como a principal montra multissectorial de Moçambique e um dos maiores palcos de negócios da África Austral. Com a participação de mais de 3050 expositores de 26 países e a expectativa de atrair cerca de 65 000 visitantes, o certame constitui uma plataforma estratégica para a promoção da produção nacional, atracção de investimento e estabelecimento de parcerias comerciais. Nesta edição, a província de Gaza foi designada “Província de Honra”, destacando-se pelo seu potencial nos sectores agrícola e pesqueiro, enquanto a África do Sul assume o estatuto de “País de Honra”, em reconhecimento do seu papel nas trocas comerciais com Moçambique. Sob o tema “Promovendo a Diversificação Económica rumo ao Desenvolvimento Sustentável e Competitivo de Moçambique”, o evento integra pavilhões temáticos, fóruns empresariais, seminários especializados e actividades culturais, com o objectivo de fortalecer a integração económica do país nos mercados regionais e globais. Texto: Felisberto Rucoa dvertisement
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