O sector petrolífero angolano recuou 8% no último trimestre, segundo o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, que descreveu um cenário “com momentos de ligeiro crescimento, mas volta e meia, de forte recuo.” De acordo com a Lusa, José de Lima Massano falava durante uma reunião com operadores industriais de bens alimentares, que decorreu na unidade industrial Foodetec, no Polo Industrial de Viana, para analisar o estado do sector, avaliar os desafios e oportunidades. Na ocasião, o ministro sublinhou a necessidade de a economia angolana ter solidez suficiente para compensar esse comportamento do sector petrolífero, que continua a ter um peso de quase 20% na economia, mas que tem estado a recuar, com “o agro a subir”, seguido do sector do comércio. “É por isso que é tão importante ter um sector não petrolífero muito dinâmico, sobretudo onde Angola tem, à partida, um potencial elevado, e aqui estamos a falar do sector primário, em conjugação com o (sector) agro-alimentar, pelo seu impacto”, referiu José de Lima Massano. O governante salientou que Angola tem procurado uma interacção estável com os países vizinhos, por serem um mercado importante para a expansão da sua actividade, destacando ainda o acordo de parceria estratégica assinado, nesta segunda-feira (25), em Luanda, com os Emirados Árabes Unidos, “que também abre uma nova janela de oportunidades”, além do mercado regional e continental. José de Lima Massano realçou que Angola tem um grande potencial e as oportunidades têm de ser aproveitadas, lembrando que o país regista já um alto nível de auto-suficiência em frutas e hortícolas, bem como em tubérculos. Por sua vez, em declarações à imprensa, o ministro da Indústria e Comércio de Angola, Rui Miguêns de Oliveira, adiantou que foram abordadas na reunião questões sobre a intensificação da capacidade de produção alimentar essenciais que o país consome, bem como a forma de garantir a qualidade dessa produção e sua distribuição. O responsável realçou o crescimento significativo, “sustentável e constante” da produção industrial alimentar, com capacidade de cobertura total de bens de amplo consumo da população em alguns segmentos. No encontro, os empresários apresentaram como preocupações a questão da regulamentação, a intervenção dos organismos públicos sobre as suas necessidades e com a evolução que o mercado possa vir a ter. “O que garantimos é que, em primeiro lugar, o Governo continuará a apoiar através de mecanismos e instrumentos de financiamento público, sempre que possível e necessário, e garantirá também que as infra-estruturas continuarão a ser o nosso principal foco”, afirmou o ministro. Ao mesmo tempo, prosseguiu Rui Miguêns de Oliveira, o Governo tem olhado para a desburocratização dos processos, “algo que também tem estado a acontecer.”
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