advertisemen tA África Austral deu um passo importante rumo à segurança energética regional. Namíbia e Botsuana lançaram oficialmente um estudo de viabilidade para a construção de uma refinaria conjunta de petróleo, avaliada em 4 mil milhões de dólares. O objectivo é reduzir a dependência das importações de combustível e aproveitar o crescente potencial de petróleo e gás da região. A refinaria, cujo custo final poderá variar entre 3 mil milhões e 5 mil milhões de dólares, está a ser analisada em conjunto pelos dois Governos. Entre os locais em avaliação, Walvis Bay, na Namíbia, surge como a principal candidata devido ao seu porto de águas profundas, à infra-estrutura logística existente e ao acesso directo a mercados de exportação. Já Ghanzi, no Botsuana, também está a ser considerada, mas deverá ter um papel complementar. A localidade funcionaria sobretudo como centro de armazenamento e distribuição, enquanto a Namíbia assumiria as operações de processamento, ficando o Botsuana responsável pela movimentação e inventário de combustível no interior. Aproveitando as descobertas de petróleo e a procura regional O estudo surge após descobertas relevantes de petróleo na bacia de Orange, onde a TotalEnergies e a Shell realizaram explorações bem-sucedidas. Apesar de ainda não haver produção, estas descobertas abriram caminho para o planeamento de infra-estruturas a longo prazo, como refinarias, oleodutos e unidades de armazenamento. O Botsuana, sendo um país sem saída para o mar, depende fortemente de combustíveis refinados importados. Para ambos os países, a instalação de capacidade local de refinação pode estabilizar os preços da energia, reduzir riscos de abastecimento e gerar valor através do processamento interno e da criação de emprego. Os especialistas, contudo, alertam que o projecto só será sustentável se houver contratos de compra a longo prazo e uma capacidade mínima de 100 mil barris por dia (bpd). O consumo actual da Namíbia ronda apenas os 25 mil bpd, o que torna necessário um modelo de negócio regional ou orientado para a exportação. Implicações estratégicas e interesse dos investidores A iniciativa segue a tendência de vários países africanos que procuram subir na cadeia de valor dos hidrocarbonetos. Em vez de exportar petróleo bruto e importar combustíveis caros, a prioridade é apostar em infra-estruturas integradas que retenham maior valor económico a nível interno. O projecto Namíbia-Botsuana desperta também o interesse de investidores estrangeiros e parceiros estratégicos, atraídos por uma região com descobertas promissoras, estabilidade política e forte dinamismo industrial. De acordo com o Ministério de Minas e Energia da Namíbia, o estudo avaliará igualmente os impactos ambientais, a logística regional e o alinhamento com as políticas energéticas nacionais. Um longo caminho pela frente, mas o impulso está a crescer Embora ainda em fase inicial, o projecto beneficia de vontade política e de coordenação entre os dois Governos. Caso avance, será a primeira refinaria conjunta entre dois países da África Austral e poderá tornar-se um modelo para futuros empreendimentos energéticos transfronteiriços no continente. Para a Namíbia e Botsuana, esta iniciativa vai além da questão energética: é uma aposta na redução das vulnerabilidades externas e uma afirmação de autodeterminação económica num cenário global em rápida transformação. Fonte: Further Africa

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