A Bharat Petroleum Corporation Limited (BPCL), uma empresa indiana de petróleo e gás do sector público, com sede em Mumbai, anunciou que garantiu os direitos de comercialização do gás natural liquefeito (GNL) do projecto Mozambique LNG liderado pela francesa TotalEnergies, localizado na Área 1 da bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, região Norte de Moçambique. De acordo com uma publicação do MarketScreener, a informação foi avançada em assembleia-geral anual da BPCL pelo presidente e director-administrativo, Sanjay Khanna, que descreveu que o projecto é um activo de gás de classe mundial e que vai apoiar o processo de transição energética no mundo, principalmente em África. Com um investimento global estimado em 20 mil milhões de dólares (1,2 bilião de meticais), o projecto foi interrompido em 2021 na sequência de uma vaga de ataques de insurgentes nas imediações da vila de Palma, o que levou à declaração de força maior. Sanjay Khanna afirmou que embora as preocupações com a segurança tenham atrasado os trabalhos, verifica-se, nos últimos tempos, a melhoria das condições, frisando que, segundo as projecções, as actividades em larga escala deverão ser retomadas em breve. A Bharat Petroleum Corporation Limited é o segundo maior produtor de petróleo downstream de propriedade estatal da Índia “Uma vez operacional, o Mozambique LNG impulsionará a nossa presença upstream e apoiará a transição energética. Já garantimos os direitos de comercialização do GNL, em linha com a nossa participação de 10% detidos pela nossa subsidiária BPRL Ventures Mozambique BV”, sublinhou. Recentemente, o Presidente da República, Daniel Chapo, reiterou que a decisão sobre a retoma do megaprojecto de exploração de gás natural liquefeito em Cabo Delgado cabe exclusivamente à TotalEnergies, líder do consórcio da Área 1. Já em Julho, o chefe do Estado revelou que vão encerrar, em Agosto, as negociações com a petrolífera francesa para a retoma das actividades. Em entrevista à Bloomberg, Chapo avançou ter-se reunido com o CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, para discutir o reinício do projecto que tem o potencial de transformar a economia do País. O governante explicou que persiste ainda o problema do terrorismo em algumas regiões, sublinhando: “Embora a região esteja mais estável do que há quatro anos, não é o paraíso”, mas pediu uma retoma (dos trabalhos) mesmo assim. Por sua vez, a TotalEnergies anunciou que prevê retomar, nos próximos meses, o desenvolvimento do seu megaprojecto de gás natural liquefeito (GNL). A informação foi avançada por Pouyanné, durante a sua intervenção na Cimeira de Energia do Japão, que decorreu em Tóquio, em Junho. Questionado sobre o calendário da retoma do projecto, o responsável afirmou que a empresa está preparada para reiniciar as actividades proximamente, sublinhando o compromisso com o investimento avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares. Segundo o Governo, estão a ser criadas todas as condições para permitir que os investidores possam reiniciar o mais depressa possível as actividades na bacia do Rovuma A decisão de retomar o projecto é influenciada pela melhoria significativa das condições de segurança em Cabo Delgado, resultado de operações conjuntas entre as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas, tropas da SADC e contingentes militares do Ruanda. A TotalEnergies revelou anteriormente que tem mantido um diálogo constante com as autoridades nacionais, de modo a assegurar uma retoma que privilegie a estabilidade e a sustentabilidade. Em Março de 2025, o banco norte-americano US ExIm Bank revalidou um empréstimo de 4,7 mil milhões de dólares (296 mil milhões de meticais), passo considerado determinante para a viabilização da retoma. Está igualmente em análise um novo financiamento de cerca de 7 mil milhões de dólares (441 mil milhões de meticais), a ser garantido por entidades financeiras dos Estados Unidos. O Mozambique LNG, considerado um dos maiores projectos de gás natural liquefeito em África, deverá atingir uma capacidade de produção anual de 12,8 milhões de toneladas na sua fase inicial. A sua concretização é vista como um marco estratégico para a economia moçambicana, com potencial para gerar receitas avultadas e posicionar o País como um actor relevante no panorama energético internacional. O projecto Mozambique LNG inclui o desenvolvimento dos campos Golfinho e Atum localizados na Área 1 Offshore e a construção de uma fábrica com duas unidades de liquefacção com capacidade de 13,1 milhões de toneladas por ano. A Área 1 contém mais de 60 Tcf de recursos de gás, dos quais 18 Tcf serão desenvolvidos com as duas primeiras unidades de liquefacção. A Total E&P Mozambique Area 1, Ltd, uma subsidiária integral da TotalEnergies, opera o projecto Mozambique LNG com uma participação de 26,5%, juntamente com a ENH Rovuma Area 1, SA (15%), a Mitsui E&P Mozambique Area 1 Limited (20%), a ONGC Videsh Rovuma Limited (10%), a Beas Rovuma Energy Mozambique Limited (10%), a BPRL Ventures Mozambique BV (10%) e a PTTEP Mozambique Area 1 Limited (8,5%).

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