A consultora Oxford Economics alertou que a transição energética para fontes renováveis ​​coloca em risco as economias africanas dependentes do petróleo, que podem acabar a produzir derivados sem compradores à medida que a procura global por combustíveis fósseis diminui. Numa análise divulgada esta sexta-feira (23), em Londres, a consultora assinala que, apesar do esforço de vários países africanos para aumentar a capacidade de refinação local, a ausência de uma diversificação económica robusta poderá transformar esta estratégia num problema. “Sem uma diversificação económica significativa e se a economia global reduzir de forma acentuada a sua sede por combustíveis fósseis, África corre o risco de produzir produtos que têm poucos ou nenhum comprador”, refere a nota. O documento sublinha que, em teoria, a aposta na refinação interna do crude poderia reduzir a vulnerabilidade às alterações climáticas e financiar medidas de adaptação. Contudo, os analistas avisam que tal caminho pode consolidar ainda mais a dependência do continente em relação ao petróleo, num contexto em que o mundo se orienta para alternativas energéticas mais limpas. A advertência surge num momento de queda do preço do petróleo para menos de 70 dólares por barril, e com Angola a registar, em Julho, uma produção abaixo de um milhão de barris por dia pela primeira vez desde 2023. Nos últimos anos, os produtores africanos têm procurado transformar mais crude localmente para aumentar os ganhos e reduzir a necessidade de importar combustíveis refinados. A Oxford Economics reconhece que esta mudança representa um avanço positivo rumo à industrialização, mas insiste na necessidade de uma “abordagem holística” que inclua outros sectores económicos. Segundo a consultora, a ausência de investimento em diversificação faz com que os países africanos percam milhares de milhões de dólares e continuem expostos a choques externos de oferta. Ainda assim, os analistas acreditam que o reforço da capacidade de refinação pode dar mais peso político e económico aos produtores africanos, fortalecer o comércio intra-africano e atenuar riscos cambiais. Fonte: Lusa

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