O Presidente da República, Daniel Chapo, reiterou esta quinta-feira, 21 de Agosto, que a decisão sobre a retoma do megaprojecto de exploração de Gás Natural Liquefeito (GNL) em Cabo Delgado, suspenso desde 2021 devido à insegurança, cabe exclusivamente à TotalEnergies, líder do consórcio da Área 1 da bacia do Rovuma, informou a agência Lusa. “A retomandepende de quem está a liderar o projecto e quem está a liderar o projecto neste momento é a TotalEnergies”, declarou Daniel Chapo, à margem de um encontro com o presidente da multinacional japonesa Mitsui, em Yokohama, onde decorre a 9.ª Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África (TICAD 9). O projecto, avaliado em 20 mil milhões de dólares (1,15 biliões de meticais), prevê a instalação de uma central em Afungi, distrito de Palma, para produção e exportação de GNL, com capacidade anual estimada em 13,12 milhões de toneladas. A TotalEnergies detém 26,5% de participação no empreendimento, enquanto a Mitsui controla 20%. O chefe do Estado sublinhou que, apesar da pressão de Moçambique e dos parceiros para a retoma, a decisão final permanece com a empresa francesa. “Todos nós estamos a trabalhar a todo o gás, para vermos se, a qualquer altura, o projecto pode ser retomado”, frisou. Em Julho, o Governo já havia assegurado que estão criadas as condições para o reinício dos trabalhos, depois de um encontro entre Daniel Chapo e o presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné. Na ocasião, o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, afirmou que “ao nível do Governo estão a ser criadas todas as condições para permitir que os investidores possam reiniciar o mais depressa possível as actividades.” A retomamdepende de quem está a liderar o projecto e quem está a liderar o projecto neste momento é a TotalEnergies Patrick Pouyanné admitiu anteriormente que a retoma poderia ocorrer até Agosto deste ano, e várias empresas subcontratadas já receberam instruções para se prepararem para regressar à península de Afungi. Desafios de segurança em Cabo Delgado O megaprojecto foi suspenso em 2021, após ataques terroristas em Palma e distritos vizinhos, que obrigaram à declaração de ‘força-maior’. Desde 2017, Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada associada ao extremismo islâmico, que já causou mais de um milhão de deslocados. Só em 2024, pelo menos 349 pessoas morreram em ataques na província, um aumento de 36% face ao ano anterior, de acordo com o Centro de Estudos Estratégicos de África, do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Daniel Chapo reiterou, no passado 22 de Junho, que a TotalEnergies deve levantar a cláusula de ‘força-maior’ para que o projecto avance definitivamente. “Caso haja levantamento da força maior, avança-se com o projecto”, declarou.
Painel