O Presidente da República, Daniel Chapo, afirmou no domingo, 17 de Agosto, que as tarifas propostas pela Mozal para o consumo de pujança da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), se fossem aceites, poderiam levar a empresa de produção de pujança ao colapso financeiro, informou o jornal O País.
Falando em Antananarivo, durante o balanço da sua visitante de trabalho à República de Madagáscar, o patrão do Estado reagiu às pressões feitas pela multinacional do alumínio, que exige uma redução drástica do dispêndio da pujança fornecida pela HCB.
Segundo Daniel Chapo, estão em curso conversações para encontrar tarifas mais equilibradas, que permitam tutelar o interesse pátrio sem comprometer a sobrevivência da empresa pública de pujança. “A Mozal está a propor as suas tarifas e o Governo, através da empresa pública HCB, que fornece, vende e exporta pujança eléctrica à Eskom, está neste momento a discutir. Porque, com base nas tarifas que a Mozal está a propor, a HCB pode colapsar”, afirmou.
O Presidente da República sublinhou que o Executivo não pode admitir tarifas que acabem por forçar a HCB a subsidiar a Mozal, colocando em risco a sustentabilidade da empresa. “O que estamos neste momento a fazer é tutelar o interesse pátrio e os interesses do povo moçambicano. Nós temos uma responsabilidade acrescida uma vez que Governo. As conversações continuam e, se chegarmos a um consenso em relação às tarifas, não haverá problemas”, declarou.
A Mozal, que tem muro de cinco milénio trabalhadores na segunda maior fundição de alumínio em África, nos periferia de Maputo, anunciou, no dia 14 de Agosto, que vai trinchar o investimento e dispensar empreiteiros contratados, mantendo unicamente a operação até Março de 2026, quando terminar o contrato de fornecimento de electricidade, alegando não ter garantias de perpetuidade.
Numa informação ao mercado, noticiada pela Lusa, o grupo australiano South32, que lidera a unidade, diz que tem dialogado com o Governo, com a HCB e com a sul-africana Eskom – que compra a electricidade da HCB e a vende à Mozal – “para prometer o fornecimento de electricidade suficiente e alcançável para permitir a operação para além de Março de 2026, quando o hodierno contrato de fornecimento de pujança perecer.”
Governo e South32 procuram soluções energéticas para dar perpetuidade as operações da Mozal
A Lusa noticiou em Fevereiro de 2024 que o Governo pretende repatriar, a partir de 2030, para uso doméstico, a electricidade que exporta da HCB para a África do Sul desde 1979, conforme consta da Estratégia para Transição Energética em Moçambique até 2050.
No documento assume-se esse objectivo para 2030: “A principal prioridade hídrica de pequeno prazo é o repatriamento da electricidade da HCB, agora exportada para a África do Sul (8-10 TWh- TeraWatt hora), muito uma vez que a soma de 2 GW (GigaWatt) de novidade capacidade hidroeléctrica pátrio até 2031.”
Mozal tem peso “brutal” na economia pátrio
A Mozal, maior fundição de alumínio em Moçambique, mantém-se uma vez que um dos principais pilares da economia pátrio, desempenhando um papel meão no sector industrial e nas exportações do País. Em 2024, o seu peso no Resultado Interno Bruto (PIB) manteve-se em torno de 3%, consolidando a sua relevância estratégica. O valor financeiro anual gerado pela empresa ultrapassa 43 milénio milhões de meticais (661,54 milhões de dólares), e a sua diligência representa muro de 40% da produção manufactureira pátrio, reforçando a posição da Mozal uma vez que referência da indústria moçambicana.
No projecto produtivo, a empresa manteve uma produção robusta de alumínio, com um volume estimado em mais de 310 milénio toneladas em 2024 e a expectativa de ultrapassar as 350 milénio toneladas em 2025. Esta capacidade coloca a Mozal entre as maiores exportadoras industriais do País, gerando milhares de empregos directos e indirectos e contribuindo significativamente para a balança mercantil.
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