A mineradora irlandesa Kenmare divulgou neste sábado, 16 de Agosto, que mantém negociações com o Governo para renovar o pacto de exploração de Moma, uma das maiores minas mundiais de titânio e zircão, ainda sem entendimento, oito meses posteriormente o termo do (pacto) anterior, informou a Lusa. “A Kenmare confirma que continua em negociações com o Governo de Moçambique e que os termos finais para a renovação ainda não foram concluídos. As operações em Moma continuam normalmente e não foram afectadas pelas discussões”, lê-se numa informação da mineradora aos mercados, negando, desta forma, notícias sobre já ter fechado um novo Tratado de Implementação (AI) de Moma. Acrescenta, na mesma informação, que tem vindo a conduzir “o processo de prorrogação junto do Governo desde o final de 2022”, e que está a “dialogar com o mesmo sobre possíveis alterações” ao AI que terminou no final do ano pretérito. “Embora a data de expiração original fosse 21 de Dezembro de 2024, o Ministério da Indústria e Transacção confirmou que os direitos e benefícios existentes da Kenmare permanecem em pleno vigor e efeito, aguardando a peroração do processo de prorrogação”, aponta o documento. A mineradora recorda que o AI é um pacto firmado em 2002 entre a Kenmare e o Governo, estabelecendo os termos sob os quais conduz as actividades de processamento e exportação de minerais, que lhe concedeu “direitos e concessões por um período inicial até Dezembro de 2024, com recta de prorrogação por mais 20 anos.” Em Março deste ano, o Presidente da República, Daniel Chapo, empossado em Janeiro, afirmou que vai renegociar os contratos dos megaprojectos que exploram os recursos do País, alegando que 20 anos depois, Moçambique já não é o mesmo ou pensa da mesma forma. “Moçambique já não é o mesmo de há 20 anos. Nem somos a mesma quantidade de pessoas, nem pensamos da mesma forma, nem temos os mesmos objectivos, nem os mesmos interesses. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e mudam-se também os desafios”, afirmou o encarregado de Estado, em declarações aos jornalistas, apontando, porquê exemplo, a exploração da própria Kenmare. Daniel Chapo reuniu-se depois, em 13 de Junho último, em Maputo, com o director-executivo da Kenmare, Tom Hickey, para discutir o porvir dos investimentos daquela empresa no Setentrião do País. “Tivemos a oportunidade de reunir com o Presidente hoje para discutir a história do investimento da Kenmare em Moçambique e o nosso porvir projecto de investimento, muito porquê as nossas estratégias para continuar a investir no País nas próximas décadas”, declarou Hickey, posteriormente a reunião. Em 2024, os lucros da Kenmare recuaram 50%, para 64,9 milhões de dólares, anunciou anteriormente a mineradora numa informação aos mercados A irlandesa Kenmare está em Moçambique há mais de 30 anos e explora a mina de Moma, uma das maiores produtoras mundiais de titânio e zircão, localizada na província de Nampula. “Acreditamos que a parceria entre a Kenmare e Moçambique tem sido boa e vamos procurar renová-la nos anos que se aproximam (…) o Presidente foi muito simples (…) e ele percebe o nosso negócio. Já trabalhou em Nampula e conhece a nossa mina e já a visitou. Porquê tal, tem uma boa percepção sobre a valimento do que nós fazemos e a natureza do nosso investimento”, acrescentou Tom Hickey. Em 2024, os lucros da Kenmare recuaram 50%, para 64,9 milhões de dólares, anunciou anteriormente a mineradora numa informação aos mercados. A informação da mineradora acrescentava logo que a receita com os produtos de Moma caiu 10% em 2024, para 392,1 milhões de dólares, “devido a uma redução de 14% no preço médio recebido pelos produtos da Kenmare, parcialmente compensado por um aumento de 4% nas remessas.” A empresa é uma das maiores produtoras mundiais de areias minerais, cotada nas bolsas de Londres e Dublin, sendo que a produção em Moçambique representa aproximadamente 7% das matérias-primas globais de titânio, com clientes em mais de 15 países, que usam os seus minerais pesados em tintas, plásticos e cerâmica.
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