
A perceção de que as empresas estão a agir de forma eficiente contra as alterações climáticas está em queda acentuada, aponta um novo estudo da Deloitte. Segundo o mais recente sindicância global da consultora, exclusivamente 38% dos trabalhadores acreditam que os seus empregadores estão a fazer o suficiente nesta dimensão, um valor inferior dos 45% registados em 2021. O recuo é ainda mais significativo nos Estados Unidos, onde a crédito desceu de 53% para 34% no mesmo período. O estudo, fundamentado em inquéritos semestrais sobre 20 milénio pessoas em 20 países, integra o novo “Sustainability Signals Dashboard” e mostra que, apesar de a maioria considerar as alterações climáticas uma emergência, isso nem sempre se traduz em crédito nas ações das organizações. Globalmente, 65% dos inquiridos afirmam que a crise climática é urgente e 75% acreditam que é causada pela atividade humana, ainda que se registem variações conforme as faixas etárias, com os mais jovens (18-34 anos) a registar consenso ligeiramente maior, atingindo 68%. Para a maioria dos participantes, que relata já ter sentido fenómenos meteorológicos extremos, os impactos das alterações climáticas não são exclusivamente teóricos. Estes acontecimentos, aliados à consciência ambiental, estão a influenciar escolhas de vida e consumo, aponta a Deloitte. Tapume de um quarto dos inquiridos admite ter ponderado mudar de ocupação para uma empresa mais sustentável ou com menor impacto ambiental. Uma percentagem semelhante de inquiridos afirma ainda que, perante uma oferta de trabalho, tem em consideração o posicionamento de um potencial empregador sobre temas relacionados com a sustentabilidade. No setor financeiro, a influência dos fatores ligados ao ESG também já pesam nas decisões de investimento, com 33% a prometer que levam em conta critérios ambientais antes de progredir com negócios. No consumo, muro de metade dos inquiridos compra pelo menos um resultado sustentável por mês, ainda que aponte que o preço continua a ser o maior entrave. Quase 40% apontam o dispêndio mais proeminente uma vez que principal barreira, logo seguido da resistência a mudar de produtos habituais (22%), apesar de muro de 38% das pessoas apontarem que, na sua última compra, gastaram mais por produtos sustentáveis. O fator ambiental está também a moldar decisões de mobilidade, com metade dos inquiridos a considerar que as alterações climáticas terão peso na escolha do próximo sítio de residência, enquanto 11% já mudaram ou planeiam mudar de habitação devido a estes impactos. Entre os mais jovens, essa veras é ainda mais presente: 64% dizem repensar onde querem viver devido à crise climática, contra 37% entre os maiores de 55 anos. Para a Deloitte, os resultados revelam que, embora a consciência e a preocupação ambiental permaneçam elevadas, cresce a sensação de que empresas e empregadores não estão a seguir as expectativas. Esta desconexão, se não for resolvida, pode ter impacto direto na retenção de talento e no comportamento dos consumidores, avisa a consultora.
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