
O presidente do Brasil, Lula da Silva, descartou qualquer possibilidade de conversar diretamente com Donald Trump neste momento sobre as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Em entrevista à Reuters, Lula afirmou: “No dia em que a minha percepção disser que o Trump está disposto a conversar, não hesitarei em vincular. Mas hoje a minha percepção diz que ele não quer conversar. E eu não me vou humilhar”.
As tarifas, que saltaram para 50% esta quarta-feira, foram anunciadas por Trump porquê exigência do presidente norte-americano para que o Brasil interrompa o julgamento de Jair Bolsonaro, alguma coisa que Lula classificou porquê “inadmissível” e uma tentativa de interferência externa.
“Já tínhamos perdoado a mediação dos EUA no golpe de 1964. Mas isto agora não é uma pequena mediação. É o presidente dos Estados Unidos a encontrar que pode ditar regras num país soberano porquê o Brasil”, referiu o presidente.
Lula também reforçou que o Supremo Tribunal Federalista, que julga Bolsonaro por tentativa de golpe de estado, “não se importa com o que Trump diz, nem deve se importar”. Para o presidente, Bolsonaro merece ser julgado não só pela sua tentativa de interferência nas eleições de 2022, mas também por incitar a interferência estrangeira: “Bolsonaro é um traidor da pátria”.
Apesar da seriedade das medidas norte-americanas, o presidente brasílico descartou retaliações imediatas e disse que o seu governo está focado na construção de medidas internas para amortecer os impactos económicos: “Precisamos de ter muita cautela.” Questionado sobre possíveis represálias a empresas dos EUA, porquê taxações sobre gigantes da tecnologia, Lula afirmou que o governo estuda formas de equiparar a tributação entre empresas americanas e brasileiras.
Lula da Silva criticou também o comportamento de Trump com outros líderes globais, porquê os presidentes da Ucrânia e da África do Sul: “O que Trump fez com Zelensky foi uma humilhação. O que fez com Ramaphosa foi uma humilhação. Isso não é normal. Um presidente não pode humilhar outro. Eu reverência todo mundo e exijo reverência”.
O presidente indicou que seu governo mantém diálogo ao nível ministerial com os EUA, mas que a sua prioridade no momento é procurar fala com os países do grupo BRICS, em privativo a Índia e a China: “Não há coordenação entre os BRICS ainda, mas haverá”. Para outrossim, o presidente brasílico sublinha a urgência de ação coletiva: “Qual é o poder de negociação de um país pequeno diante dos Estados Unidos? Nenhum”.
À Reuters, Lula destacou que o Brasil estuda uma eventual ação conjunta na Organização Mundial do Negócio (OMC), mas insiste em manter uma postura estratégica: “Nasci a negociar. Mas não temos pressa para fazer um negócio ou retaliar. Vamos agir com responsabilidade fiscal”.
O presidente deve ainda discutir o tema com outros líderes internacionais em fóruns porquê a Câmara Universal da ONU e a COP-30, mas sem expectativas de encontro bilateral com Trump a limitado prazo.
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