Os Estados Unidos enviaram cartas a vários países a pedir que rejeitem um pacto global que imponha limites à produção de plástico e ao uso de aditivos químicos, revelou a Reuters. A posição, formalizada num memorando datado de 25 de julho e distribuído no arranque das negociações em Genebra, coloca Washington em confronto direto com mais de 100 países que defendem estas medidas.


O encontro, anunciado uma vez que a última oportunidade para depreender um tratado ávido que aborde todo o ciclo de vida do plástico, desde a produção de polímeros até à gestão de resíduos, arranca com divisões profundas. De um lado estão países produtores de petróleo, que rejeitam limites à produção de plástico virgem e, do outro, a União Europeia (UE) e pequenos Estados insulares, que pedem cortes e uma regulação mais apertada sobre produtos e químicos perigosos.


No memorando enviado a alguns governos, que ainda não são conhecidos, a delegação norte-americana afirma que não apoiará “abordagens globais impraticáveis, uma vez que metas de produção de plástico ou proibições e restrições a aditivos ou produtos de plástico que aumentariam os custos de todos os produtos usados no nosso dia a dia”. 


Um porta-voz do Departamento de Estado, citado pela Reuters, afirma que cada país deve agir segundo a sua verdade e que “alguns países podem optar por proibir, enquanto outros podem querer focar-se na melhoria da recolha e reciclagem”.


John Hocevar, diretor da campanha de oceanos da Greenpeace EUA, critica a postura de Washington, e considera ser “um retorno à velha tática de intimidação do Governo dos EUA, tentando usar o seu peso financeiro para convencer outros governos a mudar de posição de forma a beneficiar o que os EUA querem”. 


A posição dos EUA, um dos maiores produtores de plástico do mundo, está alinhada com a da indústria petroquímica global e de outros países produtores de petróleo e gás, que têm defendido a mesma risco desde o início das conversações. De conformidade com a OCDE, se não houver mediação, a produção global de plástico deverá triplicar até 2060, agravando a poluição dos oceanos, os riscos para a saúde humana e o impacto nas alterações climáticas.


Recorde-se, a nascente propósito, o relatório publicado esta semana na The Lancet sobre os danos causados pelos plásticos à saúde humana, que representam prejuízos superiores a 1,5 biliões de dólares.

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