
Os plásticos são uma prenúncio “grave, crescente e subvalorizada” para a saúde humana e do planeta. A desfecho é do novo relatório “The Lancet Countdown on health and plastics”, publicado esta semana, que lança um alerta sobre os perigos do uso excessivo de plástico e defende a geração, com urgência, de políticas globais mais rigorosas. De concordância com o estudo, os plásticos causam doenças e mortes “desde a puerícia até à vetustez” e representam perdas económicas anuais superiores a 1,5 biliões de dólares, contando exclusivamente custos de saúde. “Os impactos recaem de forma desproporcional sobre as populações de baixos rendimentos e em risco”, sublinha o relatório. O problema tem vindo a agravar-se rapidamente, com os números a mostrarem que a produção mundial de plástico era, em 1950, de dois milhões de toneladas. Em 2022, ultrapassou os 475 milhões e as projeções apontam para 1.200 milhões de toneladas em 2060. Menos de 10% do plástico produzido é reciclado. “A principal força motriz desta crise é o propagação apressurado da produção de plástico”, refere o estudo, que associa diretamente nascente aumento à proliferação de plásticos descartáveis porquê garrafas e embalagens de fast food. A poluição plástica infiltra-se em todas as fases do ciclo de vida, desde a extração de combustíveis fósseis, à produção, uso e descarte. “Isto resulta em poluição do ar, exposição a químicos tóxicos e infiltração do corpo humano com microplásticos”, explicam os autores. Há já evidência da presença de partículas de plástico no sangue, cérebro, leite materno, placentas, sémen e medula óssea. Os efeitos destas partículas no organização ainda não estão totalmente compreendidos, mas estudos preliminares já os associam a episódios de AVC e ataques cardíacos. O relatório recomenda “uma abordagem de sobreaviso”, em peculiar quando o tema é a saúde das crianças. O estudo alerta para “riscos acrescidos de monstruosidade natural, parto prematuro, malformações congénitas, propagação pulmonar comprometido, cancro infantil e problemas de fertilidade na idade adulta”. Mais de 16 milénio químicos são usados na produção de plásticos, incluindo corantes, retardadores de labareda e estabilizadores, muitos dos quais com efeitos comprovadamente nocivos. No entanto, apontam os investigadores, há “falta de transparência sobre quais os químicos presentes nos diferentes produtos”. Do ponto de vista ambiental, há atualmente muro de oito milénio milhões de toneladas de resíduos plásticos a poluir o planeta, desde os cumes do Evereste às fossas oceânicas mais profundas. O plástico contribui também para a crise climática, com emissões anuais equivalentes a dois milénio milhões de toneladas de CO2, mais do que as da Rússia. Outrossim, mais de metade dos resíduos plásticos não geridos são queimados a firmamento ingénuo, tornando ainda mais grave a poluição atmosférica. Apesar dos argumentos da indústria sobre a reciclagem porquê solução para estes desafios, o relatório é evidente a declarar que é “agora evidente que o mundo não pode reciclar-se para transpor da crise da poluição plástica”. Em 2022, os Estados-membros da ONU acordaram desenvolver um tratado internacional juridicamente vinculativo sobre a poluição plástica, o Global Plastics Treaty, que deverá abranger todo o ciclo de vida do plástico. A pensar na período final destas negociações, o relatório agora publicado inaugura um novo sistema independente para monitorização, que inclui indicadores para escoltar a evolução e impacto das políticas de combate à poluição plástica. “Sabemos muito sobre a variedade e sisudez dos impactos do plástico na saúde e no envolvente”, afirmou o pediatra e epidemiologista Philip Landrigan em declarações ao The Guardian. “É imperativo que o tratado do plástico inclua medidas para proteger a saúde humana e planetária”, acrescenta o responsável principal do relatório. A esperança, aponta o estudo, é que, tal porquê no caso da poluição atmosférica ou da exposição ao chumbo, os danos provocados pelos plásticos possam ser mitigados “de forma eficiente e com custos razoáveis”, desde que existam leis fundamentadas em evidência científica, com implementação efetiva, financiamento adequado e monitorização transparente. “É nossa responsabilidade agir”, remata Philip Landrigan.
Painel