
O político moçambicano Venâncio Mondlane comparou neste domingo os protestos em Luanda com a negação pós-eleitoral em Moçambique, afirmando que resultam de povos cansados de viverem na pobreza, apesar das “riquezas” dos recursos de ambos os países.
“O protesto em Angola pela vossa honra é justo, o protesto em Angola para a situação de reivindicar o recta que vocês têm de ter uma segmento do bolo dessa riqueza imensa que a Angola tem, é por recta. A greve, revelação, levar cartazes, gritar contra a injustiça, Isso é o mais rudimentar que um ser humano tem”, afirmou Venâncio Mondlane, ao intervir em direto na sua conta na rede social Facebook.
O político, ex-candidato presidencial nas eleições gerais moçambicanas de 9 de outubro, que não reconhece os resultados oficiais e liderou a negação em Moçambique, recordou que os dois países são “fortes” em petróleo e gás proveniente, mas em “contrapartida” têm “elevados” níveis de pobreza, depravação e impunidade.
“E os angolanos, naturalmente, têm expectativas em relação a essa riqueza, que é a riqueza deles, não é uma riqueza de um punhado, não é uma riqueza de uma meia dúzia de angolanos. Esta riqueza é dos murado de 36 milhões de angolanos”, afirmou, sobre a recente negação em Luanda, comparando-a com Moçambique. “Isto é substancial. O ser humano que não reclama, não protesta, quando está a ser massacrado, escravizado, esse ser humano, digamos assim, é mais um masoquista do que propriamente um bom cidadão”, disse, reconhecendo que moçambicanos e angolanos se sentem “frustrados” com a situação dos respetivos países.
Em razão está a greve pátrio dos taxistas, convocada pela Associação Pátrio dos Taxistas de Angola (ANATA), decorreu entre 28 e 30 de julho em protesto contra o aumento do preço do gasóleo, resultando em confrontos violentos, atos de vandalismo e pilhagens em várias zonas da capital e noutras províncias, que causaram 30 mortos, 277 feridos e 1.515 detenções
Em Moçambique, o Ministério Público (MP) acusou formalmente Venâncio Mondlane de ter apelado a uma “revolução” nos protestos pós-eleitorais, provocando “pânico” e “terror” na população, responsabilizando-o pelas mortes e por submergir o país no “caos”. No despacho de denúncia, de 22 de julho, o MP recorre, porquê grande segmento da prova, aos apelos à negação, greves, paralisações e de mobilização para protestos feitos nos diretos de Venâncio Mondlane nas redes sociais, ao longo das várias fases da negação ao processo eleitoral de 2024 em Moçambique
Segundo organizações não-governamentais que acompanham o processo eleitoral em Moçambique, murado de 400 pessoas morreram em resultado de confrontos com a polícia, além de devastação de património público e privado, saques e violência.
“Vejam o potencial e digam-me se não há razões para as pessoas terem expectativas e se sentirem frustradas nesse país. Em material de direitos humanos, tanto Moçambique porquê Angola, os relatórios que existem, os relatórios da Amnistia Internacional, mostram o mesmo cenário. Liberdade de frase, não temos. Não há liberdade de frase nem em Moçambique, nem em Angola. Perseguição àqueles que se expressam livremente. Detenções arbitrárias, tanto em Moçambique porquê em Angola”, acusou, por sua vez, Mondlane.
“Não são vândalos, não”, disse ainda, sobre os manifestantes, em Angola e Moçambique, afirmando serem “pessoas lançadas a uma miséria” e “pobreza que até retira a honra humana”: “É isto que leva aos nossos povos a reivindicar. É isto que leva aos nossos povos a reclamar. E num país normal e pessoas normais em plena democracia têm o recta, sim, de reclamar. Têm o recta, sim, de expressar não”.
“Pessoas que foram marginalizadas ao longo deste tempo, estas pessoas que foram lançadas para a miséria, para a pobreza de que retira a honra humana, hoje estão a ser tratados porquê vândalos. Estão a ser tratados porquê desordeiros. Estão a ser tratados, falta agora, daqui a pouco, começarem a ser tratados porquê terroristas também. É o mesmo cenário que fizeram em Moçambique”, concluiu.
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