Corria o ano de 2007 quando Rui Paula, que na era já mostrava potencial para se tornar num dos chefs mais influentes e aclamados do país, abriu o DOC. Quis o fado que o Douro, onde se encontra, não voltasse a ser o mesmo. Com a inauguração desta cozinha de inspiração transmontano-duriense, à qual conferiu um cunho pessoal inconfundível, o portuense escreveu o primeiro capítulo na história da lhaneza da região a uma gastronomia moderna, sem nunca olvidar as raízes tradicionais que a tornam única. “Há 18 anos, era o único chef por cá. Atualmente, profissionais reconhecidos porquê o Pedro Lemos, o Vasco Coelho Santos, o Vítor Matos e o Óscar Geadas, que têm restaurantes noutros sítios, estão cá. Sendo o Douro tão único, isto era de se prever. É a zona demarcada mais antiga do mundo, está classificado (desde 2001) porquê Património Mundial da Unesco e possui vinhos, matérias-primas e paisagens espetaculares. Na minha opinião, reúne todas as condições para ser a nossa jóia da diadema. Mas ainda há margem para evoluir. O importante é gerar boas infraestruturas, que facilitem os acessos, e evitar a massificação. Não tem ocorrido. Os projetos têm lhano com uma regularidade boa e são muito pensados. Há que continuar neste caminho”, começa por proferir Rui Paula. O chef Rui Paula Foto: DR Para seguir esta transformação, o prédio situado no troço entre o Peso da Régua e o Pinhão — secção da Estrada Pátrio 222, apontada porquê uma das mais impressionantes do mundo — foi reformado. “Há qualquer tempo que o DOC merecia obras. Ao término de quase duas décadas, corríamos o risco de permanecer obsoletos, tecnicamente falando. Outrossim, os espaços precisavam de ser atualizados, tanto para o muito das equipas que cá trabalham porquê para o de quem nos visitante. Resolvemos portanto fechar durante uns meses para uma renovação profunda em que aumentamos a dimensão disponível e reequipamos a cozinha, agora com melhores condições. As salas ganharam decoração e mobiliário novo”, explica o jurado do MasterChef Portugal. “Há qualquer tempo que o DOC merecia obras. Ao término de quase duas décadas, corríamos o risco de permanecer obsoletos, tecnicamente falando. Outrossim, os espaços precisavam de ser atualizados, tanto para o muito das equipas que cá trabalham porquê para o de quem nos visitante” Foto: DR O resultado, fruto de “um investimento superior a um milhão de euros”, ultrapassou todas as expectativas do cozinheiro, que se orgulha de poder receber os amigos e clientes “num sítio mais bonito do que já era”. “Ao pensar em nós, as pessoas pensam em qualidade. As obras vieram prometer que não a perdemos nem ficamos para trás. Uma vez que referi, quando abrimos o DOC não havia zero no Douro. Faltavam bons restaurantes, que fizessem justiça aos vinhos incríveis que sempre se produziram por cá. Desempenhamos esse papel e, hoje, somos uma referência. É logo que queremos seguir”, conclui. A remodelação acabou por servir de mote a alterações na missiva, que permanece assente em produtos regionais e em peixe da nossa costa — não estivesse o mar tão perto —, e no intercepção da gastronomia contemporânea com a tradicional. A remodelação acabou por servir de mote a alterações na missiva, que permanece assente em produtos regionais e em peixe da nossa costa — não estivesse o mar tão perto —, e no intercepção da gastronomia contemporânea com a tradicional Foto: DR Aos clássicos, porquê o ovo a baixa temperatura (€28), a pá de cordeiro de leite com arroz de forno (€100 / duas pessoas) e o arroz caldoso de lavagante (€120 / duas pessoas), juntou-se um menu de degustação com 14 momentos (€180). Queijo fresco, beterraba e frutos secos; ostra, vitela e tupinambo; bojo de leitão, batata soufflé e laranja; e chocolate, wasabi e framboesa são alguns dos pratos que compõem a proposta. Se preferir, o conviva tem a opção de pedir versões reduzidas desta ementa, com 11 (€150) ou seis (€110) elementos. As harmonizações vínicas aumentam os preços em €120, €100 e €80, respetivamente. Inalterada permanece a vista arrebatadora, que pode observar da sala envidraçada ou da esplanada suspensa sobre o rio. Dos socalcos de vinhas e xisto à pacatez das aldeias ribeirinhas, não falta o que considerar no cenário que se desenha ao volta do DOC. Dos socalcos de vinhas e xisto à pacatez das aldeias ribeirinhas, não falta o que considerar no cenário que se desenha ao volta do DOC Foto: DR No dop, prepara-se o porvir sem olvidar o pretérito Com o DOC a todo o vapor, o empresário foi até ao núcleo histórico do Porto à procura do sítio perfeito para apoiar um novo restaurante. Deparou-se com ele no Palácio das Artes, um núcleo de superioridade nas áreas da originalidade e inovação. Surgia assim, em 2010, o dop, que se apresentava “porquê um espaço de bom paladar, cosmopolita e ao mesmo tempo familiar, gerador de experiências gastronómicas exaltantes”. Estas eram construídas a partir de produtos frescos e de qualidade, manuseados com técnicas criativas e originais, que davam protagonismo ao sabor genuíno. Estas eram construídas a partir de produtos frescos e de qualidade, manuseados com técnicas criativas e originais, que davam protagonismo ao sabor genuíno Foto: DR Em 2023, também esta moradia teve recta a uma reparação profunda, que visava mantê-la atual e, simultaneamente, distanciá-la do DOC, com o qual “se confundia”. “Queríamos um tanto dissemelhante, moderno e relaxado, pelo que deitámos tudo aquém e começámos do zero”, explica o cozinheiro de 58 anos. Para isso, acrescentaram-lhe uma cabine de DJ, mais cor, reequiparam a cozinha e redistribuíram as mesas de modo a asseverar maior conforto e privacidade aos convivas. No transcursão deste processo de renovação, nem a moradia de banho ficou de fora. Embora a recomendação possa parecer estranha à primeira vista, ao passar por lá vai perceber o motivo de ser considerada ponto de paragem obrigatória. Com um escorço inovador, múltiplos espelhos e tons que oscilam entre o vermelho — em clara evidência —, o preto e o branco, parece transportar até uma verdade paralela. Em 2023, também esta moradia teve recta a uma reparação profunda, que visava mantê-la atual e, simultaneamente, distanciá-la do DOC, com o qual “se confundia” Foto: DR Desde abril de 2024, profundidade em que passou a servir exclusivamente jantares, o dop assume-se, oficialmente, “porquê um restaurante de fine dining. Quero que não haja dúvidas quanto a isto. Estamos focados em proporcionar uma experiência de subida gastronomia, através de um menu de degustação com influência asiática, que pode ter 14 (€170), 10 (135€) ou 6 (100€) momentos e nasce da teoria que ‘não há porvir sem memória'”, partilha Rui Paula. Vieira, champanhe e butarga; ouriço do mar, atum e miso; francesinha e lavagante; e codorniz, orzo e couves estão entre os pratos que pode provar. Recentemente, o espaço celebra serões especiais em que “diferentes visões do mesmo Porto prestam homenagem ao pretérito e projetam ideias para o porvir”. Com o objetivo de mostrar que, “mesmo partindo do mesmo território, da mesma legado e do mesmo resultado, existem formas distintas de interpretar a cozinha”, o anfitrião convida vários chefs a preparar um tanto único, em conjunto consigo e com Sandro Teixeira, o chef residente. “Acho que, ocasionalmente, faz sentido receber pessoas que admiro e com as quais me identifico para cozinhar connosco. Vou tantas vezes, com paladar, aos restaurantes de amigos. Quero que também venham cá. Dou-lhes totalidade liberdade para gerar, exclusivamente peço um menu ligeiro, para que os clientes saiam daqui muito. Quando comemos várias coisas, os menus não podem ser pesados e a comida em si não deve ser muito intensa. Ou seja, não pode ter, por exemplo, molhos muito reduzidos. Coisas que antigamente se faziam, mas, hoje, penso que não fazem tanto sentido. Tem de ser ligeiro para que todos se sintam muito”, vaticina. Com o objetivo de mostrar que, “mesmo partindo do mesmo território, da mesma legado e do mesmo resultado, existem formas distintas de interpretar a cozinha”, o anfitrião convida vários chefs a preparar um tanto único, em conjunto consigo e com Sandro Teixeira, o chef residente Foto: DR A estreia da iniciativa, na qual a Must esteve presente, aconteceu a 10 de julho e contou com a participação de Ricardo Costa, que já conquistou duas estrelas Michelin com o The Yeatman, em Vila Novidade de Gaia, Arnaldo Azevedo, do Vila Foz Hotel, e Julien Montbabut, do Le Monument, no Le Monumental Palace, que arrecadaram um planeta cada. Bacalhau e oliva, polvo à lagareiro e ostra marcaram o início da repasto, que privilegiou o peixe e o marisco. Sapateira, gamba do Algarve e moqueca; lula, carbonara; atum, pinhões, lingueirão; tamboril, beringela e galanga; bojo de leitão, requeijão, flor de laranjeira; topinambour e avelã completaram a ementa, com harmonização vínica, que esteve disponível por 200€. Para não perder o próximo evento, basta estar cauteloso às redes sociais do dop. Onde? Cais da Folgosa, Estrada Pátrio 222 (Folgosa). Quando? Quinta a segunda, das 12h30 às 15h30 e das 19h30 às 22h30. Reservas? 25 485 8123 / 91 001 4040. Onde? Palácio das Artes — Largo de S. Domingos, 16 (Porto). Quando? Terça a sábado, das 19h00 às 22h30. Reservas? 22 201 4313 / 91 001 4041.

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