
O CEO do grupo Air France-KLM assegura que mantém o interesse na compra da TAP e que estão atualmente à espera de saber o caderno de encargos, cuja divulgação tem sido adiada pelo Governo português. Mas, a questão da compra também se prende com a concorrência europeia, cujos remédios podem ser um entrave. “Estamos a investigar a oportunidade à compra da TAP agora que o processo está a estrear”, começou por proferir Benjamin Smith quando questionado sobre o lançamento do processo de privatização de 44,9% para um parceiro estratégico, uma vez que 5% se destinam aos trabalhadores. O responsável do grupo admite que vão continuar a estudar se esta compra “faz sentido financeiro” para integrar a TAP no grupo, embora tudo acabe por depender da concorrência da União Europeia. “Trata-se de uma decisão de negócios e tem de ser simples que qualquer convénio seria para melhorar a margem do grupo. Qualquer que sejam os remédios, se virmos efeitos positivos avançamos, mas se a concorrência europeia for exagerado rígida, não estamos interessados”, vincou o CEO. Ainda assim, e tal uma vez que nascente da Air France já tinha dito ao Negócios aquando do lançamento do processo, a 10 de julho, a Air France-KLM é um dos candidatos à compra de uma posição minoritária da companhia portuguesa. Reconhendo que ainda é “exagerado cedo para comentar” qualquer movimento do grupo franco-neerlandês, Benjamin Smith prefere saber ao pormenor o que o Governo português pretende para a TAP, nomeadamente o caderno de encargos, embora já se saiba que as ligações às comunidades portuguesas e a manutenção do hub em Lisboa – hoje no Aeroporto Humberto Magro e futuramente na infraestrutura de Alcochete – são pontos fulcrais. No entanto, é importante recordar que a Air France-KLM avançou para a compra de uma posição maioritária na SAS. O processo iniciou-se no arranque do mês de julho, com o grupo franco-neerlandês a querer comprar 60,5% da companhia aérea escandinava, esperando que a compra esteja fechada na segunda metade de 2026. Resta perceber se o gabinete da concorrência europeia entende que as “fatias” nas duas companhias europeias são viáveis no portfólio da Air France.
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