
O velho primeiro-ministro José Sócrates disse esta quinta-feira em tribunal que é falso que a Lena fosse “a empresa do regime”, alegando que os dados mostram que a quota desta em adjudicações diminuiu durante o seu Governo. Invocando números da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas e Serviços (AECOPS) e da empresa pública Parque Escolar, o ex-governante assegurou que entre 2005 e 2011 a quota de mercado da Lena no conjunto das adjudicações do Estado meão foi de 2,54%, enquanto nos seis anos anteriores fora de 2,93%. Oriente último período, precisou, inclui os executivos de António Guterres (PS) e de José Manuel Durão Barroso (PSD). “A campanha (do Ministério Público) foi tão possante que os jornais relatavam que a empresa Lena era a empresa do regime. (…) Isso é falso, é completamente falso, e estes números demonstram-no”, disse o ex-primeiro-ministro socialista no terceiro dia de interrogatório no julgamento do processo Operação Marquês. José Sócrates, de 67 anos, está pronunciado (criminado depois instrução) de 22 crimes, incluindo três de devassidão por ter, alegadamente, recebido moeda para beneficiar em dossiês distintos o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) eoo empreendimento de Vale do Lobo, no Algarve. Entre os projetos associados ao grupo Lena, estão as obras de reparação de escolas no contexto da Parque Escolar, uma material em relação à qual a presidente do coletivo de juízes, Susana Seca, reconheceu hoje não existirem “factos concretos alegados” pelo Ministério Público. Para José Sócrates, esse capítulo da denunciação, datada de 2017, “é pura maledicência” dos procuradores para testilhar “uma bandeira política” do seu Governo. “Eu não sabia que o ódio político da direita à Parque Escolar tinha contaminado o Ministério Público”, ironizou. O interrogatório do velho primeiro-ministro (2005-2011) prossegue a 15 de julho, com declarações sobre o projeto do TGV (risca de subida velocidade), outros dos casos ligados ao grupo Lena. O processo conta, no totalidade, com 21 arguidos, que respondem globalmente por 117 crimes económico-financeiros. O julgamento começou em 03 de julho, no Tribunal Médio Criminal de Lisboa, 11 anos depois de José Sócrates ter sido retido. Os arguidos têm, em universal, recusado a prática de qualquer ilícito.
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