O diretor-geral da Connect Europe defende que se no horizonte continuar a decisão de que não se deve usar fornecedores porquê a China “é importante fabricar as condições para que isso aconteça”.
Alessandro Gropelli, que lidera a associação que representa os principais operadores de comunicações na Europa, foi um dos oradores do 34.º congresso da APDC, onde o horizonte dos media e das comunicações foi discutido, que decorreu 01 e 02 de julho, em Lisboa.
Questionado sobre o relacionamento da Europa, em termos de telecomunicações, com a China, tendo em conta que a tecnológica chinesa Huawei foi banida dos 5G em alguns mercados, o diretor-geral da Connect Europe refere que há decisões políticas e, depois, há a legislação, e o trabalho dos operadores é satisfazer o que a lei diz.
“Portanto, se no horizonte houver uma decisão contínua de que não devemos usar fornecedores de uma espaço específica, porquê a China, o importante é fabricar as condições para que isso aconteça”, defende Alessandro Gropelli, assinalado que, “antes de tudo, é preciso certificar-se de que está realmente a bloquear o que é sensível e não o que não é sensível”.
E, ou por outra, a fabricar também “boas condições de investimento no setor porque neste momento” está a ser pedido muito ao setor, sublinha.
“Está a ser pedido ao setor que mantenha os preços baixos, pague muito moeda pelo espectro”, a par de “permitir a ingressão de novos entrantes e aumentar a concorrência, investir nas redes porque todos precisam estar conectados, usar ou não usar alguns fornecedores”, elenca.
Ora, “não podemos fazer tudo isso ao mesmo tempo”, adverte o diretor-geral da Connect Europe.
“Precisamos fabricar um clima de investimento que permita propagação e moeda suficientes para fazer as escolhas que queremos fazer”, prossegue o responsável.
“Não se pode tomar [uma decisão] isoladamente e expor: hoje estou a pedir ao meu operador de telecomunicações para remover um fornecedor”, aponta Alessandro Gropelli.
A pergunta também deve incluir: “Eles têm o moeda? Têm as condições? Estou a fabricar um envolvente bom para eles?”.
Isto porque “se eu tomar uma decisão política, logo preciso também assumir a responsabilidade de ajudar o setor a implementá-la”, defende.
Em maio de 2023, a Percentagem de Avaliação de Segurança (CAS), no contextura do Parecer Superior de Segurança do Ciberespaço, divulgou uma deliberação sobre o “cima risco” para a segurança das redes e de serviços 5G do uso de equipamentos de fornecedores que, entre outros critérios, sejam de fora da UE, NATO ou OCDE e que “o ordenamento jurídico do país em que está domiciliado” ou ligado “permita que o Governo exerça controlo, interferência ou pressão sobre as suas atividades a operar em países terceiros”.
A deliberação não refere nomes de empresas ou de países, mas o claro é que o caso da Huawei surge na memória, nomeadamente porque a tecnológica chinesa foi banida das redes 5G em outros países europeus.
Em setembro de 2023, a Huawei Portugal entrou com uma ação administrativa contra a deliberação sobre equipamentos 5G da CAS, com o objetivo de salvaguardar os seus direitos legais.
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