Numa tendência de manente incerteza relativamente às criptomoedas, o debate sobre a introdução das mesmas num portefólio de investimentos tem sido crescente. Devido à dificuldade na procura por um paralelismo existente entre os fenómenos financeiros e o comportamento volátil das diversas criptomoedas, existe um ceticismo consensual relativamente à possibilidade de incorporação das criptomoedas em carteiras de ativos. A título de exemplo, Matheus Dibo, diretor do Investment Strategy Group de Private Wealth Management do banco de investimento Goldman Sachs, refere que o investimento em criptomoedas é análogo a um jogo de má sorte, alicerçando a sua posição na sua volatilidade, na falta de reciprocidade relativamente ao comportamento universal da economia e na inexistência de um rendimento subjacente, tal uma vez que os cupões das obrigações ou os dividendos das ações.


Consequentemente, para a solução deste repto, surge a urgência de compreendermos uma vez que as criptomoedas funcionam, com peculiar enfoque para a criptomoeda mais transacionada, a Bitcoin, procurando pontos conexos entre os sistemas financeiros e os sistemas de criptomoedas.


A Bitcoin consiste num sistema descentralizado de mineração de criptomoedas que possui um “stock” limite de 21 milhões de Bitcoins em circulação. Por sua vez, as criptomoedas são atribuídas aos mineradores em função da validação das transações contidas na rede e das respetivas taxas pagas pelo utilizador em cada uma delas. Convém salientar que a recompensa atribuída vai diminuindo ao longo do tempo, sendo um aspeto revelador da escassez inerente a oriente ativo. Oriente sistema pode ser visto uma vez que paralelo ao sistema financeiro convencional, mas associado a menores taxas na transação, maior rapidez e com menor divulgação de informação por segmento dos intervenientes.


Em contrapartida, no sistema bancário, a realização de uma determinada transação precisa tanto de poder computacional uma vez que de recursos complementares ao mesmo, tais uma vez que a mão de obra humana especializada em sistemas de informação e a validação de outros bancos associados na transação. A título de exemplo prático, no caso das transferências internacionais, existem, inclusive, serviços de corretagem na conversão de moeda, o que aumenta o dispêndio associado da transferência. Em virtude da dificuldade na realização de uma transferência, a dupla marginalização do processo cria custos que são imputados ao consumidor, quer ao nível de custos monetários na transferência, quer ao nível da lentidão na validação da transação. Desta forma, a Bitcoin elimina a dupla marginalização, reduzindo os custos imputados ao consumidor, sendo mais atrativo para transações de elevados montantes em operações complexas.


Assim sendo, o índice de volatilidade e o proeminente valor de mercado associado à Bitcoin podem ser explicados pela existência das “big whales” que, na conversão da sua moeda para a Bitcoin, transacionam montantes elevados de moeda.  Por sua vez, devido à base monetária da Bitcoin ser subordinado à do sistema monetário e da maior atratividade para investimentos mais avultados, o impacto do choque no valor da Bitcoin será maior, causando, consequentemente, uma variância maior inerente a esta criptomoeda.


Relativamente à questão da provável reciprocidade entre a inflação e as criptomoedas, a estudo será provável se concebermos a Bitcoin uma vez que moeda e percebermos a interação entre a mesma e as restantes moedas. Por outras palavras, não interpretar a criptomoeda uma vez que um ativo, mas adotar uma conceção de paridade cambial entre as criptomoedas e as restantes moedas. A título de exemplo prático, uma valorização do Bitcoin face a uma determinada moeda, fruto de uma maior procura pela criptomoeda, pode indiciar o aumento do consumo numa economia e levar à inflação, considerando um ritmo de prolongamento do resultado real subordinado. Mediante os raciocínios apresentados anteriormente, verificamos que, de facto, pode subsistir uma razão que explique a volatilidade inerente à Bitcoin, muito uma vez que a reciprocidade entre fenómenos económicos e as criptomoedas.


Por conseguinte, conotar a Bitcoin e outras criptomoedas uma vez que um mero ativo de especulação e não trabalhar com vista à compreensão dos seus mecanismos dentro do sistema parcimonioso implica ignorar o comportamento e a insatisfação dos agentes económicos existentes relativamente aos processos vigentes no sistema financeiro internacional atual que, inequivocamente, possui um cariz financeiramente antidemocrático.

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