A Oxfam Moçambique defendeu esta terça-feira (1), em Maputo, a premência de reformas urgentes na governação do sector extractivo, com o objectivo de “prometer que os recursos naturais beneficiem, efectivamente, a maioria da população moçambicana, e não unicamente uma escol restrita.”

Presente em Moçambique desde 1986, a Oxfam é uma confederação internacional de organizações não-governamentais dedicada à promoção da justiça social, económica e de género. Através do seu trabalho com comunidades, parceiros da sociedade social e instituições públicas, a organização procura certificar que os recursos do País contribuam para a redução das desigualdades e o reforço da resiliência das populações mais vulneráveis.

O apelo foi lançado por Romão Xavier, representante da Oxfam para Moçambique e coordenador regional de Economias Justas, durante a sessão de brecha da 1.ª Conferência Vernáculo sobre o Sector Extractivo e Vigor, uma iniciativa conjunta com o Meio para Democracia e Direitos Humanos (CDD).

Ao tomar a termo, Xavier sublinhou que o País dispõe de vastos recursos minerais, energéticos, vegetais e até florestais, mas que estes têm historicamente beneficiado poucos, deixando de fora as comunidades que deveriam ser as principais beneficiárias.

“A indústria extractiva continua ao serviço de uma minoria, e o grande repto está na governação. Não é unicamente uma questão de política, mas de porquê se implementam essas políticas”, afirmou.

O responsável da Oxfam reconheceu que Moçambique perdeu oportunidades significativas, sobretudo no aproveitamento do gás procedente e de outros recursos estratégicos, porquê o carvão, a grafite e os rubis. No entanto, considerou que a janela de oportunidade ainda está oportunidade — embora cada vez mais estreita — para transformar o potencial energético do País numa base para o desenvolvimento sustentável.

Nesse contexto, destacou a valimento de utilizar os rendimentos do gás procedente não unicamente para fomentar a industrialização, mas também para investir em fontes renováveis porquê a vontade hídrica, solar e eólica, de forma a posicionar Moçambique porquê actor relevante na transição energética global.

O responsável da Oxfam reconheceu que Moçambique perdeu oportunidades significativas

“A vontade em Moçambique é uma das mais limpas. Temos sol, vento e chuva. O que falta é capacidade de transformar isso em vontade útil, e para isso é preciso investimento – investimento que pode e deve ser gerado pelo nosso próprio gás”, declarou.

Romão Xavier enfatizou ainda a premência de investir no capital humano porquê factor necessário para o aproveitamento dos recursos naturais, rejeitando a teoria de que o País esteja réprobo a repetir ciclos de exploração ineficaz.

“Não temos de voltar todos à nossa povoação e pegar numa enxada de cabo limitado. Ainda há tempo para mudar. Tudo depende de nós”, concluiu, apelando a uma reflexão profunda e comprometida durante os dois dias de conferência.

Texto: Felisberto Ruco

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts