O Presidente de Cabo Verdejante, José Maria Neves, apelou esta segunda-feira (30) à comunidade internacional para um “financiamento climatológico suplementar” talhado aos países em desenvolvimento, principalmente aos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID), uma vez que o seu país. O apelo foi feito durante a sua mediação no plenário da IV Conferência Internacional sobre o Financiamento para o Desenvolvimento, em Sevilha, Espanha.
Neves sublinhou que, embora Cabo Verdejante seja responsável por menos de 0,003% das emissões globais, o país sofre impactos desproporcionais da crise climática, com recursos limitados para responder e se reconstruir depois os desastres. “Cabo Verdejante enfrenta dificuldades graves, apesar da sua taxa mínima para a poluição global, sendo duramente aparente por fenómenos climáticos extremos”, afirmou.
O governante destacou ainda a premência urgente de um “financiamento climatológico suplementar, previsível e direccionado à adaptação”, principalmente em áreas uma vez que energias renováveis, protecção costeira, gestão da chuva e sustentabilidade dos oceanos. Para Neves, é fundamental que a comunidade internacional tome compromissos concretos para prometer a sustentabilidade ambiental e económica dos PEID.
“O défice no financiamento do desenvolvimento é um revérbero das desigualdades estruturais da arquitectura financeira global”
A conferência da Organização das Nações Unidas (ONU), que decorre até quinta-feira, 3 de Julho, tem uma vez que objectivo substanciar a mobilização de recursos para o desenvolvimento e fomentar a cooperação internacional no combate à pobreza. Mais de 190 países assinaram o “Compromisso de Sevilha”, um documento que define metas e iniciativas para os próximos dez anos, exigindo a concretização de responsabilidades financeiras sólidas.
Todavia, a ONU alertou para uma subtracção do financiamento para o desenvolvimento, com um défice anual estimado em 4 biliões de dólares. Para o Presidente cabo-verdiano, leste défice representa um “alerta global”, reflectindo as “assimetrias estruturais da arquitectura financeira internacional”, que continuam a prejudicar os países em desenvolvimento, principalmente os PEID.
“O défice no financiamento do desenvolvimento é um revérbero das desigualdades estruturais da arquitectura financeira global”, destacou Neves, explicando que, embora Cabo Verdejante tenha implementado reformas internas, uma vez que a expansão da base tributária e a digitalização de processos, essas medidas não são suficientes para ultrapassar as barreiras impostas pelo sistema financeiro internacional.
O líder cabo-verdiano também apontou um “triplo repto estrutural” enfrentado pelos PEID, constituído por uma elevada dívida, uma base económica frágil e limitações institucionais que dificultam a eficiência da despesa pública e a implementação de políticas de desenvolvimento sustentáveis.
Para o Presidente de Cabo Verdejante, os compromissos assumidos na conferência devem ser acompanhados de “instrumentos eficazes e acessíveis”, uma vez que fundos verdes e azuis, a troca de dívida por investimentos sustentáveis e o reforço do escora técnico aos países mais vulneráveis. Neves concluiu destacando a premência urgente de uma “representação mais equitativa” dos PEID nas instâncias de decisão económica e financeira globais.
Natividade: Lusa
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