Quem se lembra do incidente de Seinfeld em que Kramer decide fabricar um “coffee table book” que é, na verdade, um livro com pernas que se transforma, literalmente, numa mesa de meio? Esta edição privativo da Taschen, sobre a vida e obra do famoso pintor surrealista Salvador Dalí, podia perfeitamente ser isso. É tão grande e tão pesada – tem 16 quilos – que a editora decidiu chamar-lhe “Baby Sumo”. E embora não pese tanto quanto um lutador de sumo, o mais manifesto é que precise de reforços cada vez que quiser tirá-la da estante. Por isso, o melhor mesmo é deixá-la em cima da mesa, em exposição.
Edição privativo limitada e numerada “Dalí”, da Taschen
Foto: Taschen
As pinturas de Dalí, com as suas complexidades surpreendentes e alucinantes, beneficiam particularmente deste grande formato (36.7 x 50 cm), que apresenta a sua obra com um pormenor e dimensão sem precedentes, permitindo considerar cada pincelada. Por muito que se conheça a obra do artista – relógios derretidos, carpas que cospem tigres, um rosto desinflado e suportado por estacas… –, quanto mais se olha para as suas pinturas, mais coisas se vê e mais descobertas se faz.
Caixa tipo “clamshell” que encerra os dois volumes e o livreto desta monografia
Foto: Taschen
Dalí foi o instituidor do “Método Crítico-Paranóico”, uma técnica que explora a paranóia uma vez que utensílio criativa para a produção de arte, e que consiste em induzir um estado de paranóia, onde o artista vivencia delírios e projeções mentais, que traduz depois em imagens, procurando uma versão sátira e sistemática dessas visões. Nas suas obras, recorreu a ilusões ópticas, imagens duplas e pinturas estereoscópicas, inventou o “peça surrealista com função simbólica”, criou cenografias deslumbrantes para os seus próprios bailados e mostrou-se ao mundo uma vez que um génio de bigode inconfundível em colaborações fotográficas. Dominava a técnica – uma vez que os críticos sempre reconheceram – e, nos seus últimos anos, voltou-se para a inspiração da arte clássica, reinterpretando e subvertendo a iconografia renascentista em grandes visões celestiais, ou em homenagens mais íntimas a Miguel Ângelo e Velázquez.
Obra intitulada “O Grande Masturbador”, Salvador Dalí, 1929
Foto: Taschen
Porém, esta retrospectiva monumental, com um pormenor e dimensão nunca antes visto, apresenta não somente a obra do artista, mas também a sua vida. A edição inclui uma cronologia que traça o seu trajectória da Catalunha a Paris, passando por Hollywood, e volta, com fotografias, esboços e páginas de revistas, mas também com citações dos seus próprios escritos, cartas e críticas da estação, acompanhadas por retratos raros e icónicos, esboços, ilustrações de livros e outras obras em diversos suportes.
Toga do volume de cronologia
Foto: Taschen
Nestas páginas cronológicas, acompanhamos o jovem Dalí, um talento precoce e indomável, que se aproxima da vanguarda catalã e se torna inseparável do poeta Federico García Lorca. Vemo-lo a visitar Paris pela primeira vez, onde conheceu Picasso, antes de, em 1929, se tornar publicado nos restritos círculos artísticos com o seu primeiro filme, feito com Luis Buñuel. Pouco depois, as suas pinturas escandalizam não só a mediocracia, mas também os surrealistas mais radicais, com cuecas sujas e ídolos de onanismo. É também nesse ano decisivo que Dalí conhece Gala, a sua musa e companheira inseparável – tanto na vida uma vez que na arte. Juntos mudam-se para os Estados Unidos, onde Dalí se torna uma figura pública mediática, colaborando em projetos de teatro e voga, e trabalhando em Hollywood com Hitchcock e Disney. Em seguida a guerra, regressam a Espanha, onde se instalam uma vez que figuras centrais.
Páginas do volume de cronologia com retrato de Dalí e Gala, em 1930
Foto: Taschen
Esta edição de colecionador é apresentada em caixa de luxo tipo clamshell, revestida a veludo preto, com estampagem dourada e imagem aplicada manualmente, e consiste em dois volumes de cobertura dura: um de 438 páginas, com reproduções das principais obras de Dalí, com um pormenor nunca antes visto em sensação, com arestas douradas, páginas desdobráveis, estampagem a folha de ouro no título e nas páginas de capítulos; e um segundo volume cronológico, de 624 páginas, com um texto por ano, escritos por Montse Aguer e Carme Ruiz, da Fundació Gala-Salvador Dalí, em Figueres, terreno natal do artista. Inclui ainda um livreto de 40 páginas com o catálogo das ilustrações. Ao todo, são mais de milénio páginas.
Capaz da revista “The American Weekly” de janeiro de 1938 com obras de Dalí
Foto: Taschen
Esta monografia privativo é limitada a 10 milénio cópias numeradas, custa milénio euros e está em pré-encomenda até 14 de julho, dia em que entrará à venda no site da Taschen.
Painel