A economia portuguesa registou um excedente orçamental de 0,2% do resultado interno bruto (PIB) nos primeiros três meses do ano, de concordância com os dados divulgados esta terça-feira pelo Instituto Pátrio de Estatística (INE). 
 
“O saldo positivo do setor das Administrações Públicas (AP), em percentagem do PIB, fixou-se em 0,8% no ano terminado no 1º trimestre de 2025, mais 0,1 p.p. que o observado no trimestre anterior. Considerando os valores trimestrais e não o ano concluído no trimestre, o saldo das AP no 1º trimestre de 2025 atingiu 125 milhões de euros, correspondendo a 0,2% do PIB, o que compara com -0,4% no período homólogo. Face ao mesmo período do ano anterior, verificou-se um aumento de 7,8% da receita e de 6,4% da despesa”, pode ler-se no relatório do INE.
Estes números são divulgados numa fundura em que o ministro das Finanças continua positivo na estimativa de um excedente de 0,3% do PIB para o conjunto do ano.
Numa mediação na discussão do Programa do Governo, no parlamento, Joaquim Miranda Sarmento recordou que o Governo da AD “superou as expetativas” no ano pretérito, ao entender um excedente de 0,7%, “mais do triplo que o governo anterior tinha previsto”.
Para 2025, o Governo mantém o “compromisso de estabilidade orçamental” e projeta um ‘superavit’ de 0,3% do PIB, mesmo numa fundura em que já há instituições que acompanham as contas públicas portuguesas que projetam um revinda aos défices orçamentais oriente ano ou no próximo.
O INE revela que a “economia portuguesa registou uma capacidade de financiamento de 2,2% do Resultado Interno Bruto (PIB) no 1º trimestre de 2025, traduzindo uma subtracção de 0,6 pontos percentuais (p.p.) face ao trimestre anterior”.
“O Rendimento Pátrio Bruto (RNB) e o Rendimento Disponível Bruto (RDB) aumentaram 1,1% e 1,0%, respetivamente (2,1% e 2,0% no trimestre anterior, respetivamente). A redução do saldo da economia refletiu a subtracção dos saldos das sociedades financeiras e não financeiras e das Famílias”, pode ler-se.
E mais: “O RDB das Famílias aumentou 1,3% face ao trimestre anterior, verificando-se crescimentos de 1,7% e 1,4% das remunerações recebidas e do Valor Acrescido Bruto (VAB), respetivamente. O prolongamento do RDB, conjugado com o aumento de 1,5% da despesa de consumo final (1,9% no trimestre precedente), determinou a redução da taxa de poupança das Famílias para 12,4% (12,5% no trimestre anterior). A capacidade de financiamento das Famílias fixou-se em 4,4% do PIB, menos 0,2 p.p. que no trimestre anterior. Em termos reais, o RDB ajustado per capita das Famílias aumentou 0,5% no 1º trimestre de 2025 (prolongamento de 2,0% no 4º trimestre de 2024)”.
“O défice das Sociedades Não Financeiras (SNF) agravou-se em 0,3 p.p. no 1º trimestre de 2025, fixando-se em -5,5% do PIB. O VAB e as remunerações pagas aumentaram 1,1% e 1,8%, respetivamente, enquanto a Formação Bruta de Capital (FBC) cresceu 1,7%. Por sua vez, o saldo das Sociedades Financeiras fixou-se em 2,4% do PIB (menos 0,2 p.p. que no trimestre anterior)”, é ainda referido. 
Na ótica da contabilidade pública (que tem em conta as entradas e saídas de numerário), o Estado registou um excedente de 1.592,3 milhões de euros até março, segundo os dados da realização orçamental divulgados pela Direção-Universal do Orçamento (DGO).
O saldo delicado pelo INE difere do da DGO, já que é em contabilidade pátrio (a que releva para as instituições europeias), o que significa que é calculado tendo em conta uma lógica de compromisso de receitas e de despesas.
[Notícia atualizada às 11h08]
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