Acabou a campanha eleitoral com todas as promessas e voltámos à veras de uma economia longe da narrativa dos idos de maio. Os sinais são de resfriamento global e a revisão em baixa das previsões do Banco de Portugal é um soco no estômago dos mais otimistas.


Esta semana saíram dados preocupantes da frente externa, com queda nas exportações. As incertezas provocadas pela guerra mercantil americana já estão a passar fatura à economia global, mas não é só na frente externa que surgem maus sinais. Na procura interna, apesar da folga que a baixa de juros provocará no orçamento de centenas de milhares de famílias, já surgem alertas no horizonte. O Banco de Portugal indica que já está a observar à ruína líquida de postos de trabalho e taxas de contratação mais baixas. Mário Centeno lembrou na semana passada que as alterações nestas dinâmicas tendem a ser abruptas. 


“Temos seis meses consecutivos de ruína líquida de postos de trabalho, não de ofício, mas de postos de trabalho. A última vez que isto aconteceu foi no primeiro trimestre de 2013, é daqueles alertas que cabe ao Banco de Portugal fazer em áreas sensíveis”, alertou Mário Centeno na conferência de prelo sobre o “Boletim Parcimonioso” de junho.


A indústria dos componentes automóveis que nas últimas décadas se tornou uma das estrelas das exportações portuguesas já sente a crise que o setor enfrenta na Europa. Há quebras de faturação e começamos a ver os anúncios de fecho de produção, uma vez que a Vanpro de Palmela que vai deixar 475 pessoas sem ofício.


A travagem da economia vai sentir-se no bolso dos portugueses. Uma vez que disse Mário Centeno, o “rendimento disponível real das famílias portuguesas tem aumentado sistematicamente ao longo dos últimos anos. Há uma desaceleração deste desenvolvimento nesta previsão. O que significa que não podemos dar zero por adquirido. Devemos questionar, mas devemos saber onde temos os pés assentes”.


Saldo positivo: Turismo em subida


A principal penosa dos ovos de ouro da economia portuguesa prepara-se para o que, provavelmente, será o melhor verão de sempre. O setor do turismo acredita que a era estival será positiva, antecipando mesmo resultados superiores a 2024. Mas há um calcanhar de Aquiles: a situação nos aeroportos, marcada por imagens de grandes filas, pode trazer ameaças à atividade no limitado prazo.


Saldo negativo: O fado de Vale da Rosa


A Vale da Rosa chegou a ser um exemplo de sucesso, a uva sem grainha era saborosa e tudo tinha para ter sucesso. Mas o ressaltado endividamento e a perda de clientes importantes da grande distribuição afundaram a empresa. O fundador e a família perderam o controlo da empresa, há donos espanhóis com a maioria do capital e os bancos credores ficaram com alguns milhões a voar.


Um tanto completamente dissemelhante: Maria João Pires


A pianista Maria João Pires sofreu um AVC ligeiro, o que a impossibilita de executar as datas para os concertos agendados em Portugal, onde se inclui o concerto no Theatro Circo, em Braga, agendado para hoje, assim uma vez que as passagens pelo Festival de Sintra e Teatro das Figuras, em Faro. Oxalá a artista recupere e possa voltar rapidamente aos palcos. Muitos portugueses não imaginam a dimensão mundial desta pianista, uma das grandes intérpretes musicais do nosso tempo. Um génio que temos a sorte de ouvir.  Não é só no futebol que há portugueses de classe mundial.

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