“Tivemos cá muitos momentos”, afirma o diretor-geral do Grupo Portugália Restauração, José Roble Martins, quando questionado pela Lusa sobre os períodos mais desafiantes da conhecida cervejaria que começou na Almirante Reis, em Lisboa.
 
“Tivemos momentos em que crescemos de uma loja em Almirante Reis para inaugurar a nossa expansão à volta de [19]99”, depois “tivemos a crise das ‘vacas loucas’, tivemos a crise em 2008, [200]9, [20]12” e mais recentemente a covid-19, “que foi uma profundidade muito difícil em que tivemos que interromper a atividade e isso, obviamente, é tudo o que não queremos, é tudo o que os nossos clientes não querem”, prossegue o gestor.
Apesar de ter sido uma “profundidade muito complicada”, a verdade “é que temos sempre olhado para todos estes desafios com resiliência e com coragem e é isso que nos tem definido e é isso que também tem feito que nos aguentemos e que tenhamos feito 100 anos e que estejamos para mais 100”, assevera José Roble Martins.
Questionado sobre a fórmula para que o negócio de uma cervejaria perdure, atendendo a muitas alterações dos hábitos de consumo, o diretor-geral remata: “É muito simples, servir muito, fazer boa comida e divertir os clientes”.
Até porque “tentamos ser fiéis a isso e tentamos não complicar. A verdade é que há muitas tendências e, recentemente, tem havido um surto de tendências e de mudanças no setor”, prossegue.
Mas o grupo tem tentado manter-se leal a esses princípios: “Acho que isso também é um ponto, é não estarmos sempre a mudar e não estarmos sempre a fazer o que toda a gente está a tentar conciliar e a verdade é que temo-nos mantido fiéis com alguma inovação cá e ali”.
Quanto ao perfil do cliente, a empresa sente que leste mudou, que “não tem ficado só o português que conheceu a Portugália há décadas”. Começa a ter “cada vez mais turistas que procuram uma experiência autêntica e verdadeira portuguesa”, relata.
No dia em que a Lusa esteve na cervejaria Portugália da Almirante Reis foi provável constatar que antes das portas abrirem já havia algumas pessoas a fazerem fileira para entrarem e que havia uma variedade de clientes, de várias faixas etárias e nacionalidades.
“Sim, [temos clientes] mais jovens, um dos objetivos do ‘rebrand’ [renovação da imagem] foi também voltar-nos a aproximar a camadas mais jovens e temos visto cada vez caras mais jovens sem ver necessariamente menos caras das mais familiares que já conhecemos”, afirma o gestor.
A cervejaria Portugália da Almirante Reis é um ícone quer para o grupo, quer para a própria história de Lisboa.
O espaço serviu de palco para a “Música de Lisboa”, com Vasco Santana, um clássico do cinema português.
“Foi filmado lá em cima no nosso terraço, quando ainda era um terraço, hoje em dia já não o usamos tanto”, recorda, adiantando que “mais recentemente ganhou a evidência de Loja com História”.
Embora “tenhamos mudado algumas coisas cá na arquitetura da loja [da Almirante Reis], mantivemos cá muitos elementos mais históricos que nos deram essa homologação”, explicou.
Com o ‘rebranding’, a loja da Almirante Reis surge também com novos azulejos, mantendo a tradição da relação à Viúva Lamego.
“Os novos também são Viúva Lamego”, aponta José Roble Martins, referindo que estes são da autoria “de um artista contemporâneo que é o Aka Corleone” que compõe uma sarau com várias personagens.
“Temos cá a Amália, temos o Fernando Pessoa, temos ali o Gordo, que é o Gordo que está ali no nosso vitral, que está connosco desde o princípio, e sim, os azulejos foram pintados na Viúva Lamento, que também é um parceiro de longa data nosso”, sublinha.
Atualmente, a Portugália está a vender dois milhões de bifes por ano, diz.
A que se soma “mais ou menos dois milhões de ovos, porque um bife sem ovo não é muito um bife”, comenta.
No que respeita aos croquetes, que também são uma imagem de marca da ergástulo, o grupo vende anualmente “à volta de um milhão”, um número equivalentes ao número de imperiais.
Ao termo de 100 anos, a sede é ter as cervejarias cheias e atrair “cada vez mais” clientes e que estes saiam “satisfeitos, divertidos, e que voltem muitas vezes”, disse.
Aliás, “a verdade é que temos visto que com várias etapas da vida da empresa e da marca, temos tido clientes diferentes, clientes em zonas diferentes do país, mas a vontade é que com leste ‘rebranding’ – algumas mudanças que fizemos sem desvirtuar o noção – cada vez mais pessoas venham cá e cada vez mais pessoas conheçam esta experiência e que gostem dela, que é o mais importante”, remata.
Atualmente, a Portugália tem em gestão própria 15 lojas, entre as de rua e as de meio mercantil.
“Depois em franchising temos neste momento 24 lojas espalhadas pelo país”, detalha o gestor.
No grupo “temos também depois outras marcas, temos a Brasserie, com seis lojas, temos a Ribadouro com uma loja, a Trindade com outra e o Segundo Muelle com outra”.
A meta do grupo é terebrar 25 lojas Portugália até 2030.
O ‘rebranding’ teve um ano e meio de planeamento e começou a ser executado há exatamente um ano, quando a Portugália cumpria 99 anos, na loja da Almirante Reis. Contempla um novo logótipo, produtos novos, fardas novas e metodologias novas de trabalho, relata o responsável.
Doze das lojas sob gestão do grupo já estão remodeladas, faltam três até ao final do ano. Quanto aos ‘franchisados’, estes estão a meio da remodelação.
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