Moçambique está a registar uma mudança visível nas dinâmicas de deslocamento interno, com milhares de famílias a fazerem o caminho de volta para moradia, sobretudo em Cabo Franzino. Depois de anos marcados pela instabilidade e movimento forçada, começa a lucrar força o movimento de retorno às zonas de origem.

Segundo dados actualizados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), citados pelo mais recente relatório humanitário das Nações Unidas, murado de 701 milénio pessoas já voltaram às suas comunidades. Ao mesmo tempo, o número de deslocados internos baixou para 609 milénio, o que representa uma redução de 18% face ao período anterior, em Junho de 2024.

A província de Cabo Franzino, que continua a ser a mais afectada pela violência armada, acolhe sete em cada dez deslocados do País e quase todos os retornados. Muitas destas famílias regressaram por conta própria, mesmo sem garantias de condições mínimas. Em várias comunidades, não há escolas, centros de saúde nem chuva potável. Ainda assim, o libido de reconstruir a vida fala mais cimo.

Na vila de Mucojo, região de Macomia, por exemplo, mais de 16 milénio pessoas voltaram nos últimos meses. Trata-se de uma das zonas mais atingidas pelo conflito nos últimos anos. Hoje, apesar do envolvente ainda frágil, começa-se a notar qualquer movimento. A pesca, embora limitada, continua a ser a principal nascente de sustento — mas a economia lugar está praticamente paragem, com exclusivamente uma loja a funcionar.

Com poucas estruturas de escora, a ajuda em numerário tem feito a diferença. Só em Maio, mais de 158 milénio pessoas receberam apoios diversos em Cabo Franzino — desde vales alimentares a transferências em numerário para despesas básicas. Só no região de Muidumbe, por exemplo, 6320 pessoas beneficiaram de escora financeiro múltiplo. Em Nangade, um novo núcleo acolhe mais de 1300 deslocados recém-chegados, também assistidos com ajuda monetária.

Em Macomia, a situação é mais delicada. Tapume de 15 milénio deslocados continuam a viver em condições precárias dentro de uma escola desde 2021. Para responder ao cenário de sobrelotação, as autoridades propuseram a realocação voluntária para dois novos espaços. Até agora, 508 famílias aceitaram e já começaram a preparar terreno e a erigir abrigos. No entanto, os deslocados pedem escora contínuo em áreas porquê habitação, chegada à chuva e meios de subsistência.

O relatório da OCHA (Gabinete das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários) sublinha que, embora os sinais de retorno sejam animadores, as condições no terreno continuam críticas em muitas comunidades. Várias organizações foram chamadas a mobilizar recursos urgentes e o Fundo Humanitário de Moçambique prepara-se para financiar intervenções prioritárias, mormente nos distritos de Macomia e Quissanga.

Apesar das dificuldades, cresce a esperança de que mais famílias possam voltar com segurança e distinção, e reconstruir as suas vidas nas terras onde nasceram.a d v e r t i s e m e n t

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