A cervejaria Portugália cumpre 100 anos em 10 de junho, tendo as lojas sido cândido de um ‘rebranding’ (renovação da imagem), num investimento das quais montante José Roble Martins não detalhou, mas disse que o grupo tem um projecto de expansão de 25 lojas até 2030.
Questionado sobre a faturação, o gestor começa por proferir que na “velocidade cruzeiro” gostaria de chegar “perto dos 50 [milhões de euros]”. Fasquia essa que está próxima, porque no ano pretérito, diz, “com todas as remodelações” atingiram “à volta dos 45” milhões de euros.
“Leste ano já contamos chegar muito perto dos 50 [milhões], ainda temos obviamente muitas interrupções levante ano [devido à remodelação das lojas], mas contamos também chegar muito perto dos 50 e o ano que vem já com as lojas todas abertas (…) passarmos essa fasquia”, admite o diretor-geral.
O negócio em 2024 correu muito, acrescenta, apesar do fechamento de muitos restaurantes Portugália para obras de remodelação.
“O que estamos a ver é que desde que abrimos as lojas a recetividade dos clientes tem sido espetacular”, prossegue, adiantando que, levante ano, “estão a crescer supra de 15%”.
Portanto, “há mesmo uma enorme recetividade àquilo que estamos a fazer em termos de ‘rebranding’, e esperamos que esse efeito perdure durante levante ano para as lojas que já foram remodeladas” e que simbolize “o início de uma novidade era”, sublinha José Roble Martins.
Quanto à estratégia de expansão definida em 2024, diz: “Não somos paranoicos com esse projecto, na medida em que se não fizer sentido, se fizer sentido terebrar mais ou se fizer sentido terebrar menos, olhamos sempre para isso”.
“A teoria é continuar a apostar na marca Portugália, apostar também na marca Brasserie e, portanto, para isso contamos contratar 500 pessoas nesses cinco anos”, adianta, admitindo a dificuldade em contratar pessoal para a restauração.
Quanto ao investimento nas aberturas, o diretor-geral refere que não há um valor que o grupo se comprometa antemão.
“É um valor que vamos desbloqueando, por assim proferir, à medida que vamos sentindo que encontramos espaços que façam sentido e, graças a Deus, fazemos por estarmos numa posição em que possamos investir (…) quando as oportunidades aparecem”, afirma o responsável.
Já o processo de remodelação de todas as lojas estará concluído até final do ano.
“É um investimento significativo, são vários milhões para ter a certeza que o cliente se sente valorizado e sente que mudamos aquilo que temos que mudar, sem mudar aquilo que não podemos mesmo mudar de forma nenhuma”, diz, assumindo que o valor fica aquém dos dois dígitos.
José Roble Martins assume a dificuldade em contratar pessoal. “Não paladar de ser o derrotado e o derrotista que canta a mesma música que toda a gente canta”, mas “é obviamente difícil, cada vez menos pessoas querem trabalhar na restauração, é uma profissão que é desafiante, é exigente, mas a verdade é que da mesma forma que olhamos para todos os desafios com uma mentalidade de resolver problemas, temos que olhar para esta”.
Para o gestor, é preciso “produzir condições para que as pessoas se sintam mais à vontade”, melhorando processos para que o trabalho seja mais focado no cliente do que nos temas administrativos.
“É isso que temos tentado fazer, temos tentado apostar em tecnologia, temos tentado produzir um envolvente em que as pessoas possam, de facto, estar a fazer aquilo que as pessoas que querem trabalhar em restauração querem fazer, que é terem contacto com o cliente, que é passarem essa satisfação ao cliente, e é isso que temos tentado fazer”, diz, sublinhando que o grupo tem apostado na formação.
“Se há 20 anos tínhamos empregados quase 100% portugueses, hoje em dia temos mais de 50% do nosso ‘workforce’ [força laboral] estrangeiro”, o que é motivo “de orgulho por adaptação” e “por sermos uma marca que é considerada por várias nacionalidades para trabalhar uma vez que para consumir”, salienta.
Entretanto, o grupo abriu a primeira Manteigaria em Espanha, duas em Paris e uma em Macau, onde também já tinham uma Portugália.
“Embora a língua portuguesa não se fale na rua, Portugal é visto com muito bons olhos em Macau e, portanto, [o negócio] corre muito muito, as pessoas têm uma sensação saudosista para com a Portugália em Macau”, afirma.
Sobre o que ambiciona, enquanto gestor, para as cervejarias Portugália, José Roble Martins diz que gostava “mesmo que as pessoas sentissem que – sem que isto vá mudar ao ponto de questionarem se isto ainda é a mesma Portugália -, as pessoas percebam mesmo que isto é, em algumas coisas, uma novidade Portugália”.
Ou seja, “uma Portugália que quer servir produtos cada vez melhores, cada vez mais frescos, que quer, no meio de uma dificuldade de contratação, servir cada vez melhor os seus clientes e eu gostava mesmo que isso acontecesse qualitativamente”, admite o gestor.
“Tudo o que for quantitativo e tudo o que for resultados que advêm disso são simplesmente um sintoma de que nós estamos a fazer muito o nosso trabalho e é essa a desejo”, conclui o diretor-geral.
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