O calendário dita que em 2025 há unicamente uma sexta-feira 13, que se celebra agora em junho.
Na vila do setentrião do região de Vila Real ultimam-se os preparativos para a sexta 13 ou a noite das bruxas, figuras míticas e lendárias que, de maior ou menor dimensão, já estão espalhadas pelas ruas a dar as boas-vindas a quem chega.
A sarau toma conta das ruas de Montalegre, mas o fortaleza continua a ser um dos pontos centrais e é ali que Amélia Santos tem há 14 anos a sua loja de artesanato, a Barrosarte.
“É uma grande oportunidade de negócio, oriente evento, no fundo, é o que vem colmatar os meses fracos que tenho durante o ano”, afirmou à sucursal Lusa.
A sexta 13 é, para esta artista, o “top, o número um dos eventos” do concelho.
Dentro da loja tem artigos personalizados alusivos à região, às paisagens e aos eventos que há nesta região. Há camisolas, capas e sacos de tecido com desenhos de bruxas, há também canecas, magnéticos, pratos e figuras em barro.
“Bruxas personalizadas à minha maneira”, frisou, referindo que vai vendendo os seus artigos ao longo do ano, com bons fins de semana para o negócio, mas que o ponto cimalha são as sextas 13.
Do outro lado da rua, Rui Madeira, da Tasca do Talho, disse que o evento é um “extra que dá para lastrar as coisas”. “É muito bom”, realçou.
Já há mais de meio ano que a lotação do restaurante, com capacidade para murado de 50 clientes, está lotada. No exterior vende bebidas até a sarau ultimar, desde cerveja à tradicional queimada feita à base de bagaceira, limão, maçã, canela e açúcar.
O mais difícil, segundo apontou, é reparar gente para ajudar no trabalho nesse dia.
“Por cá passa muita gente, aliás na sexta 13 há gente por todo o lado. É bom para nós, é bom para a economia, é bom para toda a gente”, afirmou.
Já perto da terreiro do município, Armando Medeiros, do snack bar Polo Setentrião, vai substanciar o ‘stock’ com 40 barris de cerveja, bebidas brancas, águas e sumos e prevê assar 15 porcos no espeto para vender sandes. Os assadores e balcões repentista serão colocados na rua.
“É uma das festas que mais gente traz ao concelho de Montalegre e é bom para toda a gente, é muito bom para o negócio”, referiu.
A presidente da Câmara de Montalegre, Fátima Fernandes, perspetiva “uma enchente” na única sexta 13 do ano, adiantando que os restaurantes estão já lotados, mas que haverá espaços nas ruas onde se servirão refeições e bebidas.
Salientou que o evento é uma oportunidade de negócio para os restaurantes e unidades de alojamento turístico e hotéis do concelho, mas também para os municípios limítrofes.
“Portanto, é uma verba muito, muito significativa que se faz numa noite, mas que depois se prolonga também no termo de semana e digamos que tem efeitos durante todo o ano”, referiu.
Esta é, segundo a presidente, “uma terreno muito antiga, com muita história, com muita tradição e que faz uso dessa história e do legado celta que atrai tanta gente”.
A sarau arranca às 13h13 e os pontos altos continuam a ser a presença do padre António Fontes, a quem caberá fazer a tradicional queimada, e o espetáculo piromusical. Em Montalegre acredita-se que quem ingerir da queimada do padre Fontes fica com o ano esconjurado dos males.
“Temos todo um programa muito variado, muito aliciante e que procura ir ao encontro daquilo que é o imaginário de cada um dos visitantes que vai passar cá por Montalegre”, afirmou à Lusa Fátima Fernandes.
Nesse dia a animação será metódico, com mais de 50 figurantes nas ruas da vila entre bruxas, fadas, fantasistas ou lobisomens, havendo ainda muita música.
A noite das bruxas é festejada desde 2002 em todas as sextas-feiras 13 e tornou-se numa das bandeiras de Montalegre.
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