a d v e r t i s e m e n tA directora global do Grupo de Risco Soberano e Subnacional da Moody’s, Marie Diron, defendeu que os países africanos devem concentrar-se no desenvolvimento de mercados de dívida locais liquidáveis nas suas moedas nacionais “para se protegerem da volatilidade global e dos investidores estrangeiros inconstantes.”
Segundo informou a Reuters, as notações de crédito de alguns países do continente começaram a subir depois um ciclo “difícil” de cortes e revisões em baixa das perspectivas económicas, impulsionado pela pressão que a pandemia da covid-19 exerceu sobre os balanços soberanos. No entanto, à medida que as guerras comerciais e os riscos geopolíticos agitam os mercados globais, os Governos que estão a sair-se melhor – porquê o Benim e a Costa do Marfim – são aqueles que reforçaram o financiamento sítio.
Em declarações à margem de um evento da Instalação Mo Ibrahim em Marraquexe, Marrocos, a directora salientou que os mercados de dívida interna profundos e líquidos protegeram parcialmente a notação e os custos de financiamento da África do Sul da turbulência causada pela abordagem adversária do Presidente Donald Trump dos Estados Unidos da América (EUA) ao Governo do Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.
“A utilização eficiente das receitas, a redução da exposição à dívida em moeda estrangeira e os prazos de vencimento mais longos também foram factores fundamentais para estribar as notações de crédito e o entrada ao mercado dos países africanos”, afirmou a representante.
A pesquisa da Moody’s mostra que a taxa média de juros sobre a dívida em moeda sítio em África é de aproximadamente 12%, em confrontação com 8% na América Latina e 5,5% nos mercados emergentes asiáticos, destacando a redução de custos que os Governos africanos poderiam depreender com mercados locais mais profundos e desenvolvidos.
Diron destacou, na ocasião, que, na dezena anterior, os países africanos tiveram entrada a fontes de financiamento mais diversificadas, desde o Banco Mundial até empréstimos relativamente acessíveis no mercado internacional de obrigações.
Chegada ao financiamento internacional torna-se mais restrito para África
Entretanto, agora as fontes são mais limitadas — e condicionais —, com os países ricos a reduzirem a ajuda e o financiamento concessionário a diminuir. Os fluxos provenientes da China, uma nascente importante para países porquê Angola e Zâmbia, estão a tornar-se negativos no balanço, à medida que os reembolsos vencem e os novos empréstimos abrandam.
“Estamos a enfrentar alguns anos nos quais os fluxos líquidos provavelmente serão negativos, porque os reembolsos serão mais significativos”, acrescentou Diron sobre a China.
A queda dos preços do petróleo também reduziu as receitas dos exportadores de crude, nomeadamente em Angola, e a Moody’s espera que os futuros do Brent permaneçam perto dos 65 dólares por barril, uma queda de murado de 10 dólares em relação à sua previsão anterior.
Marie Diron, directora do Grupo de Risco Soberano e Subnacional da Moody’s,
De entendimento com a directora, os bancos multilaterais de desenvolvimento estão a intervir para colmatar essas lacunas, mas os montantes envolvidos “são da ordem das dezenas de milhares de milhões”, o que é insuficiente para deter o défice de financiamento anual que o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) estimou em 400 milénio milhões de dólares.
A Moody’s estava também a monitorizar quaisquer novos cortes no financiamento dos EUA a instituições internacionais porquê o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial ou o BAD.
“Seria um risco se os bancos multilaterais de desenvolvimento concluíssem que não podem emprestar tanto quanto antes, principalmente num momento em que as necessidades de financiamento estão (…) a aumentar”, concluiu.
Painel